Picadas de mosquito: o que alivia e quando preocupar-se
Nem todas as pomadas funcionam da mesma forma. Saiba o que recomenda a evidência científica e quando deve procurar assistência médica
As picadas de mosquito são um dos incómodos mais frequentes do Verão. Comichão, vermelhidão e um ligeiro inchaço fazem parte da reacção normal do organismo e, na maioria dos casos, desaparecem ao fim de uma semana sem necessidade de qualquer tratamento. Ainda assim, quando os sintomas são mais intensos, nem todos os produtos disponíveis nas farmácias ou recomendados popularmente oferecem os mesmos benefícios.
Segundo a DECO PROteste, a reacção à picada não é provocada pela perfuração da pele, mas sim pela resposta do sistema imunitário às proteínas presentes na saliva do mosquito. É essa resposta inflamatória que desencadeia a comichão, a vermelhidão e o inchaço característicos.
Embora a maioria das pessoas apresente apenas uma reacção ligeira, algumas podem desenvolver uma resposta local mais exuberante, com uma área de vermelhidão e edema mais extensa. Em situações muito raras podem ocorrer reacções alérgicas graves, que exigem assistência médica imediata.
Primeiros cuidados fazem a diferença
A primeira medida consiste em lavar a zona afectada com água e sabão. Em seguida, recomenda-se aplicar uma compressa fria ou gelo envolvido num pano durante alguns minutos, ajudando a diminuir o inchaço e a aliviar a comichão.
Outro conselho importante é resistir à tentação de coçar. Apesar do alívio momentâneo, coçar agrava a irritação, pode atrasar a cicatrização e aumenta o risco de infecção por bactérias.
Quando vale a pena recorrer a uma pomada
Se a inflamação ou a comichão forem mais intensas, uma pomada com hidrocortisona pode ser uma opção eficaz. Trata-se de um corticóide de baixa potência que reduz a inflamação da pele e ajuda a aliviar o desconforto.
Em Portugal, a hidrocortisona a 1% pode ser adquirida sem receita médica, mas apenas para adultos. Está indicada para manifestações inflamatórias e de prurido, incluindo as provocadas por picadas de insectos.
Contudo, a sua utilização deve ser limitada a um máximo de sete dias e não é recomendada sobre pele infectada, feridas abertas ou em determinadas situações clínicas, como gravidez, amamentação, diabetes, problemas circulatórios, varicela ou herpes simplex. Em caso de dúvida, deve ser solicitado aconselhamento ao farmacêutico ou ao médico.
Nem tudo o que se vende tem eficácia comprovada
Apesar da popularidade dos anti-histamínicos de aplicação local, a evidência científica disponível não demonstra que sejam eficazes no tratamento das picadas de mosquito. Por essa razão, a sua utilização não é geralmente recomendada.
Quando a comichão é particularmente intensa ou persistente, os anti-histamínicos administrados por via oral podem revelar-se mais úteis, sempre mediante aconselhamento de um profissional de saúde.
Também os produtos naturais, contendo aloé vera, calêndula, arnica, mentol ou outros extractos vegetais, podem proporcionar uma sensação de frescura, mas não existe evidência robusta de que reduzam significativamente a reacção provocada pela picada.
O mesmo acontece com algumas soluções caseiras, como bicarbonato de sódio ou amoníaco. Além de não terem benefícios comprovados, podem irritar ainda mais a pele.
Os antibióticos raramente são necessários
Uma das dúvidas mais frequentes diz respeito aos antibióticos. A DECO PROteste esclarece que uma picada de mosquito provoca uma inflamação, mas isso não significa que exista uma infecção.
Os antibióticos apenas são indicados quando existe uma infecção bacteriana, situação pouco frequente e geralmente associada ao acto de coçar repetidamente a pele.
Para reduzir esse risco basta manter a zona limpa, evitar coçar e vigiar a evolução dos sintomas.
Quando deve procurar um médico
Embora a maioria das picadas evolua favoravelmente, existem sinais de alerta que justificam observação médica.
É o caso de dificuldade em respirar, inchaço da face, dos lábios ou da garganta, sintomas compatíveis com uma reacção alérgica grave. Também deve procurar assistência se a vermelhidão, o inchaço ou a dor aumentarem progressivamente, surgirem pus, febre ou calor intenso na pele, ou se os sintomas persistirem apesar dos cuidados adoptados.
A melhor estratégia continua a ser prevenir
Mais eficaz do que tratar continua a ser evitar as picadas. A utilização de repelentes adequados, roupa que cubra a pele quando necessário e outras medidas de protecção continua a ser a forma mais eficaz de reduzir o risco de ser picado.
Embora, em Portugal, as picadas de mosquito raramente provoquem problemas graves, são uma causa frequente de desconforto durante os meses mais quentes. Conhecer os cuidados mais eficazes permite aliviar os sintomas e evitar tratamentos desnecessários.