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Madeirense recupera a liberdade na Venezuela após cinco anos presa

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Fátima Maria Rodrigues Abreu, natural da Madeira, foi libertada na Venezuela após quase cinco anos de detenção. A informação foi comunicada à família através de uma mensagem enviada à activista política e presidente, na Madeira, da Associação Comando Com Venezuela, Lídia Albornoz, que acompanhava o caso.

Segundo explica a activista, a libertação ocorreu ao abrigo do Plano Cayapa, tendo sido concedida liberdade plena a Fátima Rodrigues, segundo a comunicação recebida pela família.

Fátima encontrava-se detida desde Julho de 2021, altura em que foi presa juntamente com o seu companheiro, José Sánchez, cidadão espanhol e venezuelano, no âmbito de um processo por alegados crimes de extorsão e associação criminosa.

Segundo a família, o caso teve origem num conflito entre vizinhos na urbanização Playa Pintada, em Boca de Uchire, no estado de Anzoátegui, relacionado com a gestão dos fundos do condomínio. "Enquanto presidente do condomínio, Fátima entrou em desacordo com um residente relativamente à gestão dos fundos da urbanização. A família afirma que o conflito evoluiu para ameaças e perseguição, tendo Fátima apresentado uma denúncia por assédio de género contra esse vizinho", refere, acrescentando que o residente apresentou uma denúncia que deu origem a uma investigação. 

"A família sustenta que a acusação nunca foi sustentada por provas consistentes e refere que uma perícia telefónica constante do processo demonstraria que Fátima Rodrigues, José Sánchez e o advogado igualmente detido nunca tinham mantido qualquer contacto antes da prisão, contrariando a alegação de associação criminosa", explica Lídia Albornoz.

Durante o período de detenção, os familiares fizeram vários pedidos de apoio junto das autoridades portuguesas, incluindo o Consulado de Portugal na Venezuela, o Governo da República e o Governo Regional da Madeira, alegando que não obtiveram uma resposta capaz de alterar a situação. "Hoje, a libertação de Fátima representa um momento de enorme alívio para a família. Mas deixa igualmente uma pergunta que merece resposta: como foi possível que uma cidadã portuguesa permanecesse quase cinco anos privada da liberdade sem sentença definitiva, enquanto os sucessivos pedidos de auxílio da família, dirigidos às autoridades portuguesas, não produziram o resultado que tanto esperavam?", questiona a presidente da Associação Comando Com Venezuela.

A família destaca ainda o impacto pessoal e financeiro dos quase cinco anos de prisão. Fátima, dadora de um rim, com problemas de hipertensão e da tiroide, necessitava de acompanhamento médico regular. A filha do casal, Samantha, tinha apenas quatro anos quando os pais foram detidos.

Apesar da libertação, a família refere que permanecem dificuldades económicas resultantes dos custos associados ao processo judicial, incluindo honorários de advogados, deslocações e apoio durante os anos de detenção. "Sem qualquer apoio económico, encontra-se agora junto das filhas e depende inteiramente da solidariedade e do apoio da família para reconstruir a sua vida após quase cinco anos de privação da liberdade", termina.