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Os perigos do sol para os animais de pelagem branca

Os gatos brancos ou de pelagem clara têm maior risco de sofrer queimaduras solares e desenvolver cancro da pele. Conheça os sinais de alerta e saiba como proteger o seu animal dura

É comum ver gatos estendidos ao sol durante horas, seja numa varanda, no jardim ou junto à janela de casa. Embora este comportamento seja natural, pode representar um risco para a saúde, sobretudo nos gatos de pelagem branca ou clara.

Segundo explicam os médicos veterinários, estes animais são particularmente vulneráveis aos efeitos da radiação ultravioleta (UV), podendo sofrer queimaduras solares e, em casos mais graves, desenvolver cancro cutâneo.

Os gatos brancos são mais vulneráveis?

A explicação está na melanina, o pigmento responsável pela cor da pele e do pelo.

Além de determinar a pigmentação, a melanina funciona como uma protecção natural contra os raios ultravioleta. Como os gatos brancos ou de pelagem clara produzem menos melanina, a sua pele fica mais exposta aos efeitos nocivos do sol. Tal como acontece nas pessoas com pele clara, a radiação consegue penetrar mais facilmente nas células da pele, provocando danos que, quando se acumulam ao longo do tempo, podem originar doenças graves.

Quais são os principais riscos?

A exposição repetida e prolongada ao sol pode provocar diferentes problemas de saúde.

O mais imediato são as queimaduras solares, que podem causar vermelhidão, dor e descamação da pele. Com o passar do tempo pode surgir dermatite actínica, uma inflamação persistente provocada pela exposição contínua aos raios ultravioleta.

Nos casos mais graves, os danos acumulados podem levar ao aparecimento de um carcinoma de células escamosas, um dos tumores de pele mais frequentes nos gatos. Segundo os especialistas, trata-se de um processo cumulativo. Ou seja, pequenas agressões provocadas pelo sol ao longo de meses ou anos podem transformar-se numa doença séria, mesmo que inicialmente não existam sinais evidentes.

Que zonas do corpo são mais afectadas?

As lesões costumam surgir nas áreas onde existe menos pelo e menor pigmentação, tornando-as mais desprotegidas.

As zonas mais vulneráveis são a ponta das orelhas, o nariz, as pálpebras e os lábios.

Os gatos de interior também correm riscos?

Sim. Embora muitos tutores pensem que apenas os gatos que vivem no exterior estão expostos ao sol, a radiação ultravioleta consegue atravessar os vidros das janelas. Por isso, um gato que passe várias horas deitado junto a uma janela ensolarada também pode sofrer danos na pele ao longo do tempo.

Que sinais devem preocupar os donos?

Os primeiros sintomas podem passar despercebidos por parecerem pequenas irritações.

É importante estar atento ao aparecimento de vermelhidão, crostas persistentes, descamação, pequenas feridas que cicatrizam e voltam a surgir ou perda localizada de pelo. Se não forem tratadas, estas alterações podem evoluir para úlceras, sangramento e dor, tornando-se cada vez mais profundas.

Por isso, qualquer alteração na pele deve ser observada por um médico veterinário.

Como proteger os gatos durante o Verão?

A melhor forma de prevenção passa por reduzir a exposição solar.

Os especialistas aconselham a evitar que os gatos permaneçam ao sol entre as 10 e as 16 horas, período em que a radiação ultravioleta é mais intensa.

Também é importante garantir zonas de sombra, sobretudo para os animais que vivem no exterior, e recorrer, sempre que recomendado pelo médico veterinário, a protectores solares específicos para animais.

Além disso, os donos devem observar regularmente a pele dos seus gatos e procurar assistência veterinária sempre que detectem alterações suspeitas.

O diagnóstico precoce pode fazer a diferença

De acordo com os médicos veterinários, o diagnóstico atempado é essencial, uma vez que, quando o carcinoma de células escamosas é identificado numa fase inicial, o prognóstico tende a ser significativamente mais favorável.

Por isso, perante qualquer lesão persistente ou alteração da pele, a recomendação é não adiar a consulta veterinária.

A prevenção continua a ser a melhor protecção

Apesar de muitos gatos apreciarem longos períodos ao sol, os especialistas lembram que a exposição prolongada pode ter consequências importantes, sobretudo nos animais de pelagem branca ou clara.

Com alguns cuidados simples, como limitar a exposição nas horas de maior calor, proporcionar locais de sombra e vigiar regularmente a pele, é possível reduzir significativamente o risco de queimaduras solares e de doenças cutâneas.