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Brasil convoca o seu embaixador na Argentina após ataques de Milei a Lula

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O Brasil convocou hoje o embaixador do país na Argentina, para prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países, depois dos ataques do Presidente argentino, Javier Milei, ao chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva.

A informação foi avançada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil ao portal brasileiro G1.

No sábado, o chefe de Estado argentino participou em São Paulo na cerimónia em que foi oficializada a candidatura às presidenciais brasileiras do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio.

Durante o seu discurso, Milei, teceu duras palavras contra a política brasileira, a Lula da Silva e ao juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo que levou Jair Bolsonaro a ser condenado a 27 anos de prisão por orquestrar uma tentativa de golpe de Estado contra Lula, após a derrota nas eleições de 2022.

O juiz impediu que Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, recebesse a visita de Milei na sua residência, em Brasília, onde cumpre pena.

Milei referiu-se ao juiz como "o lixo careca" que o impediu de visitar o seu amigo, que considerou "injustamente preso", e recordou que Lula da Silva "não se cansou" de receber visitas quando esteve detido por processos de corrupção posteriormente anulados pela Justiça.

Milei atacou duramente o atual Presidente do Brasil acusando-o de "espalhar o comunismo" pela América Latina através do Fórum de São Paulo, em conjunto com o falecido líder cubano Fidel Castro.

"Não deixem que vos roubem o futuro!", exclamou.

Milei, que proferiu várias expressões injuriosas contra aqueles que apelidou de "esquerdistas", disse ainda: "Hoje o socialismo está a ser erradicado na Argentina, na Colômbia, no Chile, no Equador e esperamos que também o seja no Brasil em outubro".

"Outras nações estão a despertar, mas esta ideologia continua agarrada ao Brasil" pela mão de "um dos seus promotores mais antigos", acrescentou, numa nova referência ao atual Presidente brasileiro.

Em resposta, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Luiz Edson Fachin, lamentou no sábado o insulto do Presidente da Argentina.

"Trata-se de uma referência desrespeitosa a um magistrado da mais alta instância judicial do país, feita em solo brasileiro, por causa de um ato jurisdicional praticado em conformidade com a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil", afirmou o presidente do Supremo.

Fachin lamentou as declarações de Milei, que classificou como "incompatíveis com a civilidade" que deve pautar as relações entre os Estados, ao mesmo tempo que reafirmou a independência do poder judicial brasileiro.