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Madeira

JPP questiona política da GESBA e aponta quebra de 50% nos rendimentos dos produtores em duas décadas

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O Grupo Parlamentar do JPP esteve hoje na Mostra Regional da Banana, que decorre na Madalena do Mar, para ouvir os produtores e reforçar a defesa de um sector que o partido tem acompanhado de forma permanente. À margem da iniciativa, o deputado e vice-presidente da ALRAM, Rafael Nunes, voltou a questionar a política da GESBA, denunciando o contraste entre os lucros anunciados pela empresa e os baixos preços pagos aos agricultores.

Rafael Nunes disse que, "há poucos dias, a GESBA anunciou um lucro de 1,5 milhões de euros". Um resultado que, conforme refere, "contrasta com a realidade descrita pelos produtores de banana" e que leva Rafael Nunes a lançar uma pergunta que, diz, há muito ecoa entre os agricultores: “Lucro à custa de quem?”

A resposta, diz Rafael Nunes, "está nos recibos e comprovativos de pagamento apresentados pelos próprios agricultores, que continuam a demonstrar que os preços pagos pela banana permanecem profundamente desajustados dos custos de produção e da realidade do sector".

“Não podemos aceitar que um quilograma de banana extra seja hoje pago praticamente pelo mesmo valor que era pago pelas cooperativas há cerca de vinte anos”, afirma Rafael Nunes.

O deputado recorda que a quebra da remuneração é ainda mais evidente nas restantes categorias. “Actualmente, a GESBA paga aos produtores cerca de metade do que as cooperativas pagavam há cerca de vinte anos”, denuncia Rafael Nunes. Como exemplo, refere que a banana de primeira categoria, que então era remunerada a 0,51 euros por quilograma, é hoje paga a cerca de 0,26 euros. Já a banana de segunda categoria passou de cerca de 0,30 euros para apenas 0,15 euros por quilograma.

Em nota à imprensa, Rafael Nunes questiona ainda "como é possível que a GESBA continue a pagar menos de 5 cêntimos por quilograma de bagos de banana perfeitamente consumível e comercializável, um valor que considera manifestamente insuficiente e desrespeitador para quem produz".

Rafael Nunes sublinha que "esta comparação é feita em valores nominais. Se forem considerados o aumento do custo de vida e a inflação acumulada ao longo das últimas duas décadas, a perda de rendimento dos produtores revela-se ainda mais expressiva".

O parlamentar lembra que "estas preocupações não são novas". "O JPP já as levou ao presidente do Governo Regional e ao secretário regional da Agricultura, Nuno Maciel, sem que, até ao momento, tenha sido apresentada qualquer resposta ou assumido qualquer compromisso para corrigir esta situação", acrescenta.

“Pede-se aos agricultores que produzam mais, que invistam mais e que façam um esforço acrescido, mas continua a recusar-se pagar um preço justo pela banana”, critica.

Para o JPP, "esta realidade demonstra que a GESBA está longe de cumprir a missão para a qual foi criada". "Em vez de contribuir para melhorar o rendimento dos produtores, os agricultores recebem hoje, em muitos casos, cerca de metade do valor que era pago há cerca de vinte anos", sustenta.

“É legítimo perguntar se este modelo está verdadeiramente ao serviço dos agricultores ou se continua apenas a perpetuar um sistema que penaliza quem trabalha a terra”, afirma Rafael Nunes.

O JPP defende "uma revisão urgente da política de remuneração dos produtores de banana, garantindo preços mais justos, transparentes e compatíveis com os custos reais de produção".

“A banana é um dos pilares da agricultura madeirense. Valorizar este setor passa, acima de tudo, por respeitar quem produz e garantir que o seu trabalho é justamente remunerado”, conclui Rafael Nunes.