Há 25 anos era noticiado o negócio da droga na Madeira
Há 25 anos, o DIÁRIO fazia manchete com o flagelo da droga na Madeira, noticiando os "negócios" existentes neste meio.
A 22 de Julho de 2001, era noticiado que para pagarem as doses de droga, os toxicodependentes roubavam perfumes, ouro, telemóveis e peças de roupa, objectos que eram vendidos com facilidade.
"À sombra do flagelo da droga, outros negócios prosperam. Para arranjar dinheiro para a dose, os toxicodependentes roubam em casa, na casa dos outros e nos estabelecimentos comerciais. Apropriam-se de casacos de cabedal ou outras peças de vestuário, roubam garrafas de uísque, assaltam ouriversarias e perfumarias, furtam telemóveis. Tudo produtos que, no local certo, conseguem vender a preço de saldo", podia ler-se.
Segundo se queixava o subintendente da PSP, Manuel Félix, o problema, "o verdadeiro", era que, na Madeira, existia "tanto receptador de material roubado". De acordo com as versões que corriam, não eram apenas os traficantes os únicos a comprar material roubado aos toxicodependentes. Apesar de ser crime a aquisição de produtos furtados, a verdade é que existia quem não tinha problemas "em comprar por 10 contos um casaco de cabedal que vale 100, ou um par de óculos, um perfume, um fio de ouro por preços muito mais baixos do que se praticam nas lojas".
"As pessoas não podem ser ingénuas. Ninguém vende algo de valor, adquirido de forma lícita, por um preço muito inferior ao real", lembrava o subintendente.
Na reportagem era ainda escrito que, nas histórias que corriam sobre os circuitos de droga e do roubo, existiam suspeitas que recaiam sobre alguns comerciantes. "Um jogo arriscado, pois as partes envolvidas não são sempre de confiança. Às vezes, no meio de uma ressaca entre duas doses, o toxicodependente faz chantagem com aquele que lhe comprou o produto, dizendo que o denunciou à polícia. Para se livrar de aborrecimentos, é frequente a devolução e o produto é vendido, outra vez, a outra pessoa qualquer", relatava o artigo.
A rota do roubo e da toxicodependência não se faz, no entanto, sem um passagem pelo Almirante Reis. Era ali que se vendia o material, se comprava a droga e consomia. E, para perceber isso, basta, apenas, um pouco de atenção. Os grupos e os locais de encontro estavam, há muito, definidos. "Isto aqui muda pouco. Houve uns tempo em que esteve mais calmo quando prenderam um dos calmo quando prenderam um dos cabecilhas. Só que voltou tudo ao mesmo", confessava um comerciante da zona.
E "voltar tudo ao mesmo" significava ter venda de droga, em plena tarde, na rua de Santa Maria, enquanto os agentes da PSP faziam patrulhamento do Almirante Reis, assim mais para o lado do teleférico e da Avenida do Mar. "A transacção decorre em escassos segundos e os grupos rapidamente se dispersam. Quem comprou, desaparece, por entre as ruas, em direcção à 'sala de chuto', que fica entre as áreas de vendas dos ciganos e o Infantário Dona Lívia Nosolini. As marcas da sua passagem estão à vista de todos", podia ler-se.