Barquisimeto escapa à destruição, mas não à dor que atravessa a Venezuela
Em Barquisimeto, capital do Estado de Lara, a vida continua quase como antes. Os prédios mantêm-se de pé, as ruas estão abertas, o trânsito circula e não há, à vista, marcas da violência do duplo sismo que devastou outras regiões da Venezuela. Mas a normalidade que se vê nas ruas contrasta com a angústia que se sente pelo que aconteceu em La Guaira e em zonas de Caracas.
É esse contraste que Martinho Pestana, conselheiro das Comunidades Madeirenses, descreve ao DIÁRIO. Vive em Barquisimeto, numa área que, apesar de relativamente próxima da zona sísmica, praticamente não sofreu danos.
Explica que ali “não passou muito grande coisa” e que muitos atribuem essa resistência ao facto de a cidade assentar sobre uma base rochosa mais sólida.
As imagens recolhidas no local ajudam a perceber essa diferença. Vêem-se edifícios altos intactos, fachadas sem danos visíveis, pessoas a circular, comércio aberto e uma cidade que mantém o seu ritmo.
Nada que se compare com a destruição registada em La Guaira, onde a tragédia atingiu uma dimensão humana e material muito mais pesada.
Martinho Pestana garante que a comunidade portuguesa e madeirense no Estado de Lara está bem. Há tristeza, preocupação e muitas chamadas para familiares e amigos noutras zonas do país, mas não há registo de danos significativos nesta área.
“Toda a gente está a fazer a sua vida normalmente”, resume, sem esconder que essa normalidade é vivida com o coração voltado para quem perdeu tudo.
A partir de Barquisimeto, cresce também a resposta solidária. O conselheiro sublinha que o povo venezuelano está a juntar bens e apoios para enviar para La Guaira, num movimento espontâneo que atravessa comunidades e famílias. Longe dos escombros, Lara tornou-se uma das zonas onde a ajuda começa a organizar-se.
As declarações foram proferidas dentro do seu carro, q caminho de Caracas, 400 quilómetros da capital venezuelana. Nem uma fissura se vê no asfalto decorrente do duplo sismo.