Tragédia na Venezuela

Inclusivamente a natureza parece estar, neste momento, contra a Venezuela.

Quando menos condições há para viver, até os desastres naturais batem à porta.

A Venezuela, como país, está a enfrentar, talvez, a maior crise da sua história. É um país rico em matérias-primas, mas mal governado nas últimas décadas, com corrupção ao mais alto nível.

Temos, contudo, de reconhecer que muitas famílias madeirenses emigraram para a Venezuela e, graças ao seu trabalho, tornaram-se financeiramente independentes, educaram os seus filhos e regressaram à sua terra natal, a Madeira. É do conhecimento de todos que, se a Venezuela tivesse sido bem governada, seria um país escolhido por muitos portugueses para viver e trabalhar durante alguns anos.

Na minha opinião, perante a presente catástrofe, a Venezuela precisa de ajuda, não só médica e financeira, mas também moral, porque o país está socialmente devastado.

Senhor Presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque, chegou o momento de a Ilha da Madeira ajudar a recuperação da Venezuela, depois de décadas em que tantas gerações de madeirenses beneficiaram das oportunidades que aquele país lhes proporcionou.

Independentemente do apoio do Governo da República, o Governo Regional deve, dentro das suas possibilidades, contribuir para a recuperação da Venezuela, prestando apoio humano, material e financeiro.

Há milhares de retornados da Venezuela a viver na Madeira, muitos dos quais receberam apoio social e financeiro, especialmente após o agravamento da situação política e económica daquele país.

A Madeira deveria criar um grupo de trabalho, sob coordenação do Governo Regional, para contribuir para a recuperação da Venezuela com a maior brevidade possível.

Chegou o momento da verdade. A Madeira não só deve, como tem o dever moral de ajudar a comunidade venezuelana.

Será um gesto que ficará na memória das gerações futuras.

Senhor Presidente, mãos à obra. O mundo está a observar a pronta resposta da Madeira a esta calamidade.

Damião de Freitas