Número de casas vendidas na Madeira cai 24% no 1.º trimestre
O número de casas vendidas na Região Autónoma da Madeira caiu 24,2% no primeiro trimestre de 2026, registando a maior quebra entre as 26 sub-regiões do país, num período em que o mercado imobiliário nacional também abrandou, mas de forma menos acentuada (-10,5%).
Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, apesar da forte redução nas transações, a Madeira continua entre as regiões mais caras do país para comprar habitação. Com um preço mediano de 2.863 euros por metro quadrado, a Região ocupa a quarta posição nacional, apenas atrás da Grande Lisboa (3.836 euros/m²), Algarve (3.352 euros/m²) e Península de Setúbal (2.996 euros/m²), surgindo à frente da Área Metropolitana do Porto (2.552 euros/m²). A média nacional fixou-se nos 2.337 euros por metro quadrado.
Entre as sub-regiões portuguesas, apenas Terras de Trás-os-Montes (+14,2%) e Alto Tâmega e Barroso (+2,2%) registaram aumentos no número de transações. Depois da Madeira, as maiores quebras verificaram-se na Região de Aveiro (-19,2%), Alentejo Litoral (-15,5%) e Região de Leiria (-15,4%).
Ao nível municipal, o Funchal destacou-se por apresentar um preço mediano de 3.601 euros por metro quadrado, valor 54% superior à média nacional. A capital madeirense registou ainda uma valorização homóloga de 23%, acima do crescimento médio do país (19,8%).
Entre os 24 municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes, o Funchal surge entre os mais caros, atrás de Lisboa (5.292 euros/m²), Cascais (5.000 euros/m²) e Oeiras (4.511 euros/m²), mas à frente de cidades como Porto, Braga, Coimbra e Leiria.
O INE destaca ainda que o Funchal foi o município onde os preços da habitação mais aceleraram entre o último trimestre de 2025 e o 1.º trimestre de 2026, com um aumento de 25,2 pontos percentuais na taxa de variação homóloga, o maior acréscimo entre os 24 maiores municípios do país.
Nos últimos 12 meses terminados em Março de 2026, a Região Autónoma da Madeira apresentou um preço mediano de 2.578 euros por metro quadrado, continuando acima da média nacional, fixada em 2.168 euros/m².
Outro dado revelado pelo INE prende-se com a influência dos compradores estrangeiros. Na Madeira, os imóveis adquiridos por residentes no estrangeiro atingiram um preço mediano de 3.295 euros por metro quadrado, acima dos 2.810 euros pagos pelos compradores com domicílio fiscal em território nacional.
No caso do Funchal, os apartamentos de tipologia T0 e T1 registaram os preços mais elevados (3.872 euros/m²), enquanto as habitações T4 ou superiores apresentaram um valor mediano de 2.072 euros por metro quadrado, a maior diferença entre tipologias observada entre as cidades portuguesas com mais de 100 mil habitantes.
Apesar da quebra expressiva no número de vendas, os dados do INE mostram que a pressão sobre os preços da habitação na Madeira continua a intensificar-se, mantendo a Região entre os mercados imobiliários mais valorizados do país.