Presidente interina declara sete dias de luto nacional
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou luto nacional por sete dias a partir das 18:00 de hoje (hora local, 23:00 em Lisboa), uma semana após o duplo terramoto que causou quase 2.000 mortos.
"A alma da Venezuela está dilacerada pelas perdas humanas causadas por estes terramotos devastadores. (...) Em homenagem à memória das vítimas, decidi decretar um período nacional de luto de sete dias a começar hoje às 18:00", escreveu Rodríguez na sua conta na plataforma Telegram.
A líder venezuelana, que antes era vice-presidente e que assumiu a presidência após a captura do Presidente Nicolás Maduro em janeiro pelos Estados Unidos, salientou que, neste momento de profunda tristeza, abraça aqueles que sofrem esta tragédia e reafirmou o seu compromisso de os acompanhar e proteger.
Disse rezar pelos feridos, pelas pessoas desaparecidas -- sem especificar este número -- e pelas comunidades afetadas.
Também hoje, o Governo venezuelano criou uma página na Internet para receber doações internacionais.
"A Venezuela não está sozinha! Pode juntar-se a esta iniciativa de solidariedade e acompanhar estes momentos de dificuldade", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Yván Gil, numa mensagem escrita em inglês no Telegram ao partilhar o 'link' para a página web.
O canal estatal Venezolana de Televisión (VTV) explicou que a página, que inclui os dados bancários de uma conta da CAF - Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caraíbas -, servirá para receber donativos e suprimentos.
As doações serão processadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.
"Se uma parte interessada desejar enviar um avião com ajuda humanitária para território venezuelano, através do mesmo portal é solicitada a autorização de voo, na qual são declaradas as aeronaves, a rota, os membros da tripulação e o tipo de doações transportadas", referiu a VTV, salientando que esta autorização só será concedida para voos com doações.
Depois de o voo ser autorizado e aterrar na Venezuela, os responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros ficarão responsáveis por toda a logística para a entrega das doações.
Na terça-feira, a partir de La Guaira, o estado mais afetado pelos terramotos, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros para a Europa e América do Norte, Oliver Blanco, disse aos jornalistas que o país estava à espera da chegada de mais ajuda humanitária, depois de ter recebido mais de 1.200 toneladas nos últimos dias.
Blanco indicou que cerca de 30 países prestaram auxílio e que a coordenação foi imediata com representantes dos Estados Unidos, América Latina e Caraíbas, Europa e Ásia.
Na terça-feira, Stephanie Hochstetter, responsável pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) para o país, afirmou que a ONU planeia ajudar meio milhão de pessoas em abrigos instalados após os terramotos.
Os danos causados a habitações e ativos económicos, como veículos, edifícios ou empresas após os dois terramotos, têm uma estimativa preliminar de 6.700 milhões de dólares (cerca de 5.885 milhões de euros), segundo uma avaliação por satélite baseada na Análise Digital Rápida (RAPIDA) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Um total de 80.870 famílias receberam assistência.
Segundo as autoridades, estão no terreno 3.660 socorristas estrangeiros, 148 cães, 49 veículos de apoio e 26.121 militares venezuelanos na zona do desastre.
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes, e outros 71 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma das regiões mais afetadas e onde se concentram muitos portugueses e lusodescendentes.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira.