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Presidente interina vaiada em visita a zona de crise em Caracas

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Um grupo de moradores e familiares de pessoas presas sob os escombros de um edifício em Caracas atingido pelos devastadores sismos na Venezuela vaiou na sexta-feira a presidente interina, Delcy Rodríguez.

"Chega de campanha política no meio de uma tragédia como a que estamos a viver", frisaram à governante, de acordo com a agência France-Presse (AFP).

Rodríguez visitava uma zona nobre da capital perto de um edifício que ruiu na quarta-feira e os moradores acusaram também o Governo de "não fazer nada pelo povo".

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, anunciou a restrição de acesso ao Estado de La Guaira (norte, perto de Caracas), a zona mais afetada pelos sismos, a partir das 20:00 de sexta-feira (01:00 de sábado em Lisboa).

Num discurso na emissora estatal, Cabello especificou que qualquer pessoa que deseje viajar para La Guaira deve registar-se junto do Governo em Caracas para "impedir que pessoas sem qualquer missão designada" entrem no Estado.

O objetivo desta medida é facilitar os esforços de socorro e evitar obstruções, sublinhou o alto responsável chavista.

Antes, a presidente interina tinha pedido aos cidadãos que não se deslocassem a La Guaira, a cerca de 40 quilómetros de Caracas, para facilitar as operações de resgate.

Aproximadamente cem edifícios ruíram em La Guaira, enquanto continua a mobilização de mais de cem máquinas pesadas para o resgate de pessoas presas nos escombros, e foi anunciado o envio de 11.500 agentes de segurança de várias instituições.

Milhares de civis venezuelanos estão a fazer voluntariado nos esforços de resgate nos edifícios afetados e também organizaram campanhas de recolha de mantimentos e entrega de donativos para várias áreas de Caracas e La Guaira.

Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 28 portugueses e luso-descendentes, e outros 85 estão desaparecidos.

Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.

Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5  ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.