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Governo de Sánchez vê Vaticano como aliado na imigração e defesa da paz

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FOTO Fernando Calvo HANDOUT/EPA

O Governo de Espanha considerou-se hoje aliado do Vaticano nas políticas de imigração e defesa do multilateralismo, realçando as mensagens que o Papa tem deixado na visita que está a fazer ao país desde sábado.

"Vemos no Vaticano um aliado da nossa visão humanista do mundo em questões tão importantes como a paz, respeito pela dignidade humana, ordem internacional multilateralismo, política de imigração, com um apoio desinteressado por parte do Papa à política migratória do Governo de Espanha", disse a ministra porta-voz do executivo liderado pelo socialista Pedro Sánchez.

A ministra Elma Saez falava em Madrid, na conferência semanal após a reunião do Conselho de Ministros, e destacou a "enorme humanidade" do Leão XIV desde que chegou a Madrid para uma "visita histórica", a primeira de um Papa a Espanha em 15 anos e que já teve um momento inédito - um discurso do também chefe de Estado do Vaticano no parlamento espanhol, na segunda-feira.

"O mais relevante da visita histórica do Papa é a mensagem que nos deixa, um apelo a colocar as pessoas no centro", disse Elma Saez.

O Papa defendeu na segunda-feira, perante os deputados, senadores, governo e outras autoridades de Espanha, que o "trágico drama migratório" deve agitar "a consciência das nações" e apelou à cooperação multilateral para lhe ser dada uma resposta "solidária e eficaz" que tenha no centro a dignidade humana.

Lamentou ainda o rearmamento da Europa e pediu respeito pelo direito internacional e "coragem diplomática" aos líderes mundiais.

Considerando que "as armas podem impor um silêncio temporário, mas nunca poderão edificar uma paz autêntica e duradoura", disse que "a verdadeira segurança nasce da justiça, do diálogo paciente, do respeito pelo direito internacional e de uma política capaz de pôr a vida dos povos acima dos interesses que se beneficiam com a guerra".

Noutros dois discursos no sábado, apelou à Europa para abandonar discursos polarizadores com "simplificações estéreis" e a reconhecer "a complexidade" como uma bênção, tendo agradecido a Espanha "a fidelidade ao direito internacional e ao multilateralismo".

Leão XIV alertou ainda para "ideologias mundanas ou posicionamentos políticos e económicos" que levam a "generalizações injustas", num encontro com pessoas em situação de exclusão social, como imigrantes e sem-abrigo.

Esta foi a primeira vez que um líder da Igreja Católica discursou no parlamento nacional de Espanha, país em que o terceiro maior grupo parlamentar, do Vox, de extrema-direita, mantém há meses um confronto com os bispos por causa da imigração.

Os bispos espanhóis têm sido alvo de críticas por parte dos dirigentes do Vox por terem reivindicado e apoiado publicamente a regularização extraordinária de imigrantes com que avançou recentemente o Governo liderado po Pedro Sánchez.

Além disso, os bispos, incluindo a cúpula da Conferência Episcopal Espanhola, criticaram os acordos dos últimos meses do Vox com o Partido Popular (PP, direita) para coligações de governos regionais que integram um princípio de "prioridade nacional" nos acessos a serviços públicos e apoios sociais, por imposição da extrema-direita. O objetivo, assumido pelo Vox, é dar prioridade aos espanhóis em relação a imigrantes.

Leão XIV foi aplaudido no final do discurso por todas as bancadas de deputados presentes (incluindo a do Vox), senadores e convidados durante sete minutos.

Depois de três dias em Madrid, o Papa viajou hoje para Barcelona, onde na quarta-feira protagonizará uma cerimónia dedicada à nova torre da basílica da Sagrada Família, que é desde este ano a igreja mais alta do mundo, e ao arquiteto Antoni Gaudí.

A visita de Leão XIV a Espanha terminará nas Canárias, com dois dias (quinta e sexta-feira) dedicados à imigração e ao fenómenos das 'pateras' ou 'cayucos', as embarcações precárias em que milhares de pessoas cruzam anualmente o atlântico para alcançar ou tentar alcançar as costas do arquipélago espanhol.