Justiça italiana investiga Ben Gvir por capturar activistas da flotilha
A procuradoria de Roma está a investigar o ministro da Segurança Interna israelita, Itamar Ben Gvir, por suspeita de captura de ativistas da flotilha humanitária Global Sumud, intercetada em águas internacionais pelas forças israelitas quando se dirigia para Gaza.
A decisão da justiça da capital italiana foi tomada após uma queixa apresentada pelos próprios ativistas, quando regressaram de Israel, para onde foram levados contra a sua vontade.
Os ativistas alegam, em concreto, ter sido raptados e sujeitos a tortura.
A investigação considera possíveis crimes de tortura, sequestro, danos resultantes de naufrágio e roubo.
O Ministério Público e os Carabinieri já recolheram depoimentos de vários participantes na missão de solidariedade pró-Palestina, tendo sido também anexado ao processo um vídeo publicado nas redes sociais pelo próprio Ben Gvir, que mostra o ministro a caminhar entre os ativistas algemados e ajoelhados no porto de Ashdod, enquanto goza com estes.
Ben Gvir afirmou que não se sente intimidado pela investigação em Itália.
"Israel não é saco de pancada para um bando de mentirosos e simpatizantes do terrorismo que inventam mentiras contra os nossos combatentes", frisou, citado pelo jornal "The Times of Israel".
"Não me vão intimidar com este tipo de investigação. Continuarei firme, orgulhoso, ao lado dos nossos combatentes", acrescentou o também líder do partido de extrema-direita Poder Judaico.
Os ativistas relataram ter sido sujeitos a choques elétricos, balas de borracha, assédio e agressões sexuais. Denunciaram também abusos físicos e psicológicos.
Pelo menos 35 pessoas sofreram fraturas nas costelas e foram registadas doze queixas de agressão sexual.
A maioria das embarcações da Flotilha Global Sumud partiu da Sicília em 26 de abril, após a sua partida inicial de Barcelona, e foi travada pelas forças israelitas na noite de 29 de abril perto da ilha grega de Creta, em águas internacionais.