Necessidades humanitárias aumentaram drasticamente na Venezuela
As necessidades humanitárias e de proteção aumentaram drasticamente na Venezuela nos últimos dias, na sequência dos dois grandes sismos da semana passada que causaram pelo menos 1.700 mortos e cinco mil feridos, alertou hoje a ONU.
"Em La Guaira, o estado mais atingido, a escassez de alimentos é generalizada, os serviços básicos foram interrompidos e as comunicações estão extensamente cortadas", explicou a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) Carlotta Wolf, organização que coordena a resposta de proteção e abrigo às vítimas dos sismos na Venezuela.
Wolf avisou que as tensões comunitárias estão a aumentar, já que o acesso a ajuda continua limitado e apesar de o ACNUR ter alargado a resposta na Venezuela.
O alerta foi feito depois de avaliações iniciais no terreno, realizadas na sexta-feira e no sábado passados nos estados de La Guaira, Caracas, Miranda, Aragua e Carabobo, terem confirmado um aumento da vulnerabilidade da população que foi obrigada a abandonar as suas casas e se mantém deslocada.
De acordo com dados atualizados, cerca de 16 mil pessoas foram afetadas ao ponto de terem de procurar habitação alternativa, embora algumas permaneçam nas ruas.
"Metade das pessoas avaliadas está abrigada em casas de familiares ou vizinhos, enquanto 39% permanecem nas ruas e em espaços públicos, e as restantes em igrejas, escolas ou instalações improvisadas que não cumprem os padrões mínimos de proteção, privacidade ou higiene", avançou Carlotta Wolf.
Além disso, 17% dos inquiridos reportaram a presença de crianças não acompanhadas ou separadas das famílias, o que levou o Grupo de Proteção das Nações Unidas, liderado pelo ACNUR, mas que também inclui outras agências da ONU, como a UNICEF, a lançar uma campanha para identificar, localizar e reunir estas crianças com as famílias.
A avaliação inicial indicou ainda que três em cada quatro inquiridos relataram ferimentos nas suas comunidades e mais de metade deram conta de mortes, sendo que os idosos e as pessoas com deficiência enfrentam riscos agravados, devido à mobilidade limitada e ao acesso reduzido a informação.
A porta-voz da agência da ONU adiantou que, em colaboração com a confederação de organizações humanitárias da Igreja Católica Cáritas, foi criado um centro para receber e armazenar donativos para facilitar a distribuição da ajuda.
Reiterando, no entanto, a importância do apoio atempado e flexível às pessoas de todas as comunidades afetadas, o ACNUR afirmou necessitar de cerca de 13 milhões de euros para aumentar a proteção, o fornecimento de artigos de ajuda essenciais e o apoio a abrigos temporários para 30.000 pessoas afetadas pelos terramotos ao longo de seis meses.
Dois sismos de magnitude 7,2 e 7,2 na escala de Richter abalaram a Venezuela na quarta-feira passada, causando pelo menos 1.719 mortos e 5.034 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 56 portugueses e lusodescendentes, e outros 91 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.