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Necessidade urgente nas morgues obriga a campanha sacos para cadáveres

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Foto EPA/Ronald Pena R

A dimensão da tragédia humanitária provocada pelos violentos sismos na Venezuela continua a revelar novas dificuldades no terreno. Depois da escassez de medicamentos, alimentos e equipamentos de resgate, surge agora um apelo dramático vindo da principal morgue de Caracas: faltam sacos para cadáveres.

O alerta foi lançado por Iris de França, dirigente do Movimento Político de Mulheres de Caracas, após uma visita à Morgue de Bello Monte, onde uma equipa da fundação Más Iguales prestou apoio às famílias das vítimas.

Segundo relatou, foram distribuídas refeições, disponibilizado acompanhamento psicológico aos familiares e entregues diversos consumíveis ao pessoal que trabalha na unidade médico-legal. No entanto, durante a visita, o director da morgue revelou uma das necessidades mais urgentes enfrentadas neste momento.

De acordo com a responsável, a morgue necessita, com carácter de urgência, de sacos próprios para o transporte e acondicionamento de cadáveres.

Os corpos continuam a chegar diariamente e o número oficial de vítimas mortais é contabilizado à medida que passam por aquela unidade.

“Até ao momento são mais de 1.400 mortos, mas há ainda muitas vítimas em La Guaira que não foram transferidas para a morgue. Para facilitar esse processo precisamos urgentemente de mais sacos para cadáveres”, terá explicado o responsável da instituição.

A fundação identificou já a empresa fabricante, localizada em Filas de Mariche, onde cada unidade custa cerca de 26 dólares.

Perante a gravidade da situação, Iris de França lançou uma campanha solidária destinada a angariar fundos entre venezuelanos residentes no país e na diáspora, com o objectivo inicial de adquirir pelo menos uma centena de sacos.

A responsável reconhece, contudo, que esse número será insuficiente perante a dimensão da tragédia, mas considera que permitirá responder às necessidades mais imediatas enquanto prosseguem as operações de recuperação de vítimas nas zonas mais afectadas.

A iniciativa junta-se às dezenas de campanhas humanitárias que têm surgido nos últimos dias para apoiar os sobreviventes e reforçar a capacidade de resposta das autoridades venezuelanas face a uma catástrofe que continua a fazer aumentar o número de mortos e desaparecidos.