Em quatro meses 27 presos morreram por falta de apoio médico na Venezuela
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), confirmou hoje a morte sob custódia do Estado de Yonny José Bastidas Briceño, elevando para 27 os detidos que morreram em prisões na Venezuela por falta de atenção médica nos últimos quatro meses.
"Denúncia: O OVP confirma a morte de Yonny José Bastidas Briceño, que se encontrava detido no Centro Penitenciário do Oeste I Cipriano Castro, em Santa Ana, no estado de Táchira [780 quilómetros a sudoeste de Caracas]", indicam na sua conta da X.
Na mesma rede social, o OVP sublinha que "com uma população de mais de 1.400 reclusos, este centro penitenciário sofre de uma sobrelotação superior a 165%" e sublinha que "a falta de cuidados médicos integrais levou à morte deste recluso devido a uma peritonite aguda e outras complicações de saúde, durante este mês de junho".
Segundo o OVP, com a morte de Yonny José Bastidas Briceño, "o número de mortos nas prisões da Venezuela sobe para 27 em apenas quatro meses deste ano, o que reflete a negligência das autoridades em relação à população prisional".
O Observatório precisa que só em junho registou a morte dos reclusos Yosevet de Jesús Lozada, Alberto Rafael Solarte Cabrera em cárceres de Miranda e Zúlia. Também de Fabiana Desiree Páez Fernández, a primeira mulher a presa na prisão de La Crisálida, estado de Miranda, 30 quilómetros a sul de Caracas.
O OVP afirma ainda que no seu recente relatório anual de 2025 documentou que a falta de atenção médica causou a morte de 95% dos 151 presos que morreram, durante esse ano, nas cadeias venezuelanas e acusa o Estado de "continuar a ignorar a sua responsabilidade".
"Recordamos que, quando uma pessoa morre sob a custódia do Estado e a desnutrição é uma das causas da morte, estão a ser violados os deveres de proteção. Ao estarem privados de liberdade, dependem inteiramente das autoridades para a sua alimentação, saúde e vida digna", sublinha.
Os últimos dados divulgados por Organizações Não Governamentais venezuelanas dão conta que no país estão presas 58.714 pessoas, em 51 estabelecimentos prisionais e esquadras policiais, em 17 dos 23 estados do país.
Em 9 de junho de 2026 a ONG Foro Penal (FP), conhecida por defender os presos políticos, tinha registos de 389 detidos por motivos políticos, 225 deles civis, 164 adultos, entre os quais 32 mulheres.
Entre os detidos encontram-se 39 estrangeiros, cinco deles portugueses.
No entanto, várias ONG locais dão conta que o número de presos políticos ultrapassa os 500.