Países do Golfo pedem mísseis e aliados iranianos incluídos nas negociações de paz
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irão deverão incluir o arsenal de mísseis e drones iranianos e o apoio de Teerão aos seus aliados no Médio Oriente, alertaram hoje os países da região do Golfo Pérsico.
"A paz e a segurança regionais sustentáveis exigem o enfrentamento de todas as ameaças iranianas, incluindo os seus mísseis balísticos, drones e apoio a grupos armados na região", afirmaram os ministros dos Negócios Estrangeiros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), através de uma declaração conjunta após uma reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Estados Unidos e Irão assinaram na semana passada um memorando de entendimento para suspender de imediato o conflito, iniciado em 28 de fevereiro por uma ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica, e nas próximas semanas têm negociações programadas para encontrar um acordo de paz definitivo.
Os mísseis e drones de Teerão, usados durante o conflito pelas forças iranianas para atacar os países vizinhos do Golfo e no apoio a grupos armados na região, como o Hezbollah no Líbano ou os Huthis no Iémen, estão porém omissos no texto do entendimento preliminar entre Washington e a República Islâmica.
Na vertente económica, "todo o comércio e investimento com o Irão deve ser condicional e reversível", acrescentaram os membros do CCG, apelando a Teerão para que respeite os termos do acordo e "cesse o seu comportamento desestabilizador".
Ao abrigo do memorando de entendimento, as partes têm 60 dias desde a assinatura para negociar um acordo de paz definitivo, incluindo o futuro do estreito de Ormuz, sujeito a bloqueio iraniano durante os meses da guerra, afetando 20% do comércio mundial de produtos petrolíferos, e o programa nuclear de Teerão.
Em troca, o Irão recebe o levantamento de sanções e a libertação de fundos congelados no exterior, bem como a criação de um fundo de 300 mil milhões de dólares (260 mil milhões de euros) para a reconstrução do país.
De visita ao Bahrein numa jornada diplomática que passou também pelos Emirados Árabes Unidos e Kuwait, Marco Rubio afirmou, em conferência de imprensa na quarta-feira, que os Estados Unidos não farão "nada que prejudique a segurança" dos aliados na região.
Rubio evitou porém esclarecer se o Irão vai prestar alguma garantia relativamente aos limites das suas capacidades de mísseis ou drones, um tema omisso no memorando assinado na semana passada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.
"Não percebi qualquer dúvida sobre as nossas garantias de segurança, porque são reais", declarou a propósito da defesa dos países do Golfo, que foram alvo de ataques aéreos iranianos ao longo do conflito, sob o pretexto de albergarem bases militares norte-americanas.
O chefe da diplomacia de Washington afirmou também que nenhum outro país além do Irão defende portagens no estreito de Ormuz, como tem sido pretendido por Teerão, comprometendo-se com "um alinhamento total" com os aliados do Golfo nas negociações com a República Islâmica.
No mesmo sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, garantiu hoje aos homólogos representados no CCG da Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Qatar que não haverá cobrança de portagens no estreito de Ormuz.
"Futuros acordos relativos ao estreito não envolverão a cobrança de quaisquer taxas de trânsito", declarou durante a reunião hoje no Bahrein, a respeito de um dos temas mais sensíveis das negociações de paz, que se encontram ameaçadas também pela continuação da ofensiva israelita contra o Hezbollah no Líbano, país incluído no cessar-fogo por exigência de Teerão.