“Poderia ficar sentadinha no sofá, mas prefiro dar luta pela Madeira”
Rubina Leal rejeitou as críticas à aceitação do cargo de vice-presidente da Mesa do Congresso Nacional do PSD e deixou uma resposta directa a quem entende que a sua presença naquele órgão representa uma menorização da Madeira. Neste caso não só a Carlos Rodrigues.
A social-democrata madeirense defende precisamente o contrário. Para Rubina Leal, a defesa da Região não se faz pela ausência, pelo amuo ou pelo comentário à distância, mas pela presença nos espaços onde as decisões são discutidas e onde a Madeira deve continuar a fazer-se ouvir.
“Eu poderia ficar sentadinha no sofá, a comentar, a criticar e a fazer de conta que isso resolvia alguma coisa. Mas não é essa a minha forma de estar. Sempre preferi dar a cara, ocupar os espaços, estar onde é preciso estar e dar luta pela Madeira”, afirmou.
A resposta surge depois das críticas públicas de Carlos Rodrigues, antigo deputado do PSD-Madeira e actual vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, que censurou a participação de dirigentes madeirenses na Mesa do Congresso, num contexto em que Hugo Soares, secretário-geral do PSD, tratou Miguel Albuquerque por “Rezingão”, expressão que o autarca considerou desrespeitosa para com o líder do PSD-Madeira e presidente do Governo Regional.
Rubina Leal não ignora o incómodo causado pelo episódio, nem desvaloriza os dossiers que continuam por resolver entre a Madeira e a República. Mas recusa a ideia de que a resposta deva ser abandonar o terreno político.
“Não me sinto menorizada por aceitar responsabilidades. Menorizada estaria se ficasse calada, se virasse costas, se desistisse de ocupar os lugares onde a Madeira também tem de estar representada”, vincou.
A deputada sublinha que aceitou o convite por lealdade institucional e partidária, mas também por entender que a Madeira deve marcar presença em todos os planos de decisão, mesmo quando há divergências, insatisfação ou críticas a fazer à liderança nacional.
“Tenho memória, tenho posição e tenho voz. Sei bem o que continua por resolver para a Região. Mas também sei que não é fugindo dos palcos políticos que se conquista respeito. O respeito conquista-se com presença, com trabalho e com persistência”, acrescentou.
Rubina Leal insiste que continuará a defender a Autonomia, a mobilidade, as finanças regionais e os compromissos que a República mantém por cumprir, sem abdicar da sua forma de estar: participar, intervir e não ficar à margem.
“Não faço política de bastidor, nem de ressentimento. Faço política de compromisso. E quando o partido me chama para uma responsabilidade, em regra, aceito. Depois, lá dentro, digo o que tenho a dizer. É essa a diferença entre ficar no sofá e dar luta”, declarou.
A dirigente social-democrata afastou ainda qualquer leitura de subalternização pelo facto de Miguel Albuquerque presidir à Mesa do Congresso e ela assumir uma vice-presidência.
“Não padeço dessa necessidade de medir cargos por vaidade. O que me interessa é saber se a Madeira está presente, se tem voz e se pode continuar a afirmar as suas razões. A minha postura é de humildade, mas humildade não é submissão. Humildade também é saber servir quando é preciso servir”, concluiu.
Rubina Leal não tomará posse porque está na Madeira e não foi ao Congresso.