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Madeira

Carlos Rodrigues acusa PSD nacional de menorizar Albuquerque e critica Rubina por aceitar lugar na Mesa

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Carlos Rodrigues, antigo deputado do PSD-Madeira e actual vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, reagiu com dureza a dois momentos do Congresso Nacional do PSD que, no seu entender, revelam falta de respeito político pela Madeira e uma postura demasiado submissa por parte da representação madeirense.

A crítica surge depois de Hugo Soares, secretário-geral do PSD, se ter dirigido a Miguel Albuquerque tratando-o por “Rezingão”, expressão que Carlos Rodrigues entende como ofensiva e reveladora de uma tentativa de menorizar o presidente do Governo Regional e líder do PSD-Madeira. Para o social-democrata madeirense, não se tratou de uma simples brincadeira, mas de um gesto politicamente significativo.

“Poderia ser uma brincadeira. Infelizmente não é”, escreveu Carlos Rodrigues nas redes sociais, considerando que o episódio representa “um tratamento desrespeitoso” e uma tentativa de “infantilizar a Madeira, inferiorizar quem critica, diminuir quem enfrenta”.

O antigo deputado entende que este tipo de tratamento não pode ser desligado do momento político que atravessa a relação entre a Madeira e Lisboa. Num contexto em que continuam por resolver dossiers como a mobilidade aérea, o Subsídio Social de Mobilidade, as finanças regionais, os subsistemas de saúde e outras reivindicações autonómicas, Carlos Rodrigues defende que a delegação madeirense deveria ter aproveitado o Congresso para vincar uma posição mais firme perante a direcção nacional do partido.

“Se foi para isto que fomos ao congresso então falhámos grosseiramente”, afirmou, lamentando que o momento tenha sido ocupado por discursos “leais”, “politicamente correctos e polidos”, quando, no seu entender, era altura de “dizer a verdade nua e crua”, apontar erros e denunciar “a vergonhosa forma” como a Madeira tem sido tratada.

A crítica adensa-se também pelo facto de Rubina Leal ter aceitado integrar a Mesa do Congresso como vice-presidente. Carlos Rodrigues vê esse gesto como mais um sinal de cedência política, questionando a forma como dirigentes madeirenses aceitaram participar na encenação institucional do Congresso sem, no seu entender, confrontarem directamente a liderança nacional do PSD.

“Não dissemos o que era preciso dizer, não vincámos a nossa posição, fomos gozados e aceitamos qualquer migalha”, escreveu.

A publicação termina com uma interrogação directa sobre o lugar atribuído à representação madeirense no Congresso. Para Carlos Rodrigues, é incompreensível que figuras com responsabilidades políticas na Região aceitem papéis secundários quando, no seu entender, estava em causa a dignidade institucional da Madeira e da Autonomia.

O desabafo do vice-presidente da Câmara do Funchal expõe um mal-estar interno no PSD-Madeira. De um lado, uma linha que privilegia a normalização das relações com a direcção nacional de Luís Montenegro. Do outro, sectores que defendem que a Madeira deve adoptar uma postura mais frontal, mesmo quando o Governo da República é liderado pelo mesmo partido.

Mais do que uma reacção a uma expressão usada por Hugo Soares ou à composição da Mesa do Congresso, a crítica de Carlos Rodrigues traduz uma leitura política mais profunda: a de que a Madeira corre o risco de ser tratada como parceira menor dentro do próprio PSD nacional, justamente no momento em que mais precisa de força, autonomia e capacidade de confronto.