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Fact Check Madeira

Será que houve derrapagem no custo da obra de renovação da Praia das Palmeiras?

Foto Câmara de Santa Cruz
Foto Câmara de Santa Cruz

É já amanhã que chega a estação do Verão e uma das novidades deste ano em termos de espaços balneares na Madeira é a renovada Praia das Palmeiras, que foi apresentada ontem, pela presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, Élia Ascensão. O resultado das obras não agrada a toda a gente. Nas redes sociais, houve quem criticasse aspectos estéticos, como a pintura do fundo da piscina, e opções técnicas, como a retirada do escorrega em forma de baleia, que já estava desactivado há vários anos. Houve também quem fizesse reparos aos custos. “O orçamento teve uma derrapagem de 95%?”, questionou um cidadão no Facebook, dando a entender que a obra custou mais do que o inicialmente estimado. Será que esta última ideia tem fundamento?

Para esta verificação de factos socorremo-nos das notícias que ao longo dos anos foram publicadas na imprensa regional sobre os planos de obras naquela praia de Santa Cruz. Pelo menos há 11 anos que há reivindicações políticas sobre a necessidade de intervenção naquele espaço balnear. Por exemplo, a 4 de Junho de 2015, o dirigente da CDU Indalécio Santos alertou a situação de toda a zona entre a Praia das Palmeiras e o complexo da Ribeira da Boaventura. “Não há uma aposta por parte da Câmara” para transformar aquelas praias como espaços de excelência, sublinhou.

A 24 de Agosto de 2022, em declaração publicada pelo DIÁRIO, o então presidente da autarquia santa-cruzense, Filipe Sousa anunciava que estava prevista uma intervenção profunda integrada na requalificação da Praia das Palmeiras, mas sem adiantar estimativas de custos.

A 3 de Setembro de 2025, em plena campanha eleitoral, a cabeça-de-lista do JPP à presidência da Câmara Municipal de Santa Cruz, Élia Ascensão, apresentou um projecto de requalificação da Praia das Palmeiras, durante uma visita ao local. Dias depois, o candidato da coligação PSD/CDS, Saturnino Sousa, criticou o executivo camarário do JPP ainda não ter concretizado aquela obra. Também nessa altura não foram avançados valores para a obra.

A 13 de Fevereiro do corrente ano, foi publicado no Diário da República o procedimento para a obra de requalificação da Praia das Palmeiras, com um valor base de 555.400 euros (sem IVA). A empreitada viria a ser adjudicada à empresa Obracentímetro e o respectivo contrato assinado a 6 de Abril de 2026, pelo valor de 473.007 euros (sem IVA).

Por esta relação de declarações e de documentos, não se comprova um agravamento nos custos das obras na referida praia de Santa Cruz. Aliás, até aconteceu que o custo da empreitada foi ligeiramente inferior ao valor base do respectivo procedimento. Com base nos elementos disponíveis, conclui-se ser falsa a “derrapagem de 95%” nos encargos com as obras de renovação da Praia das Palmeiras.

“O orçamento teve uma derrapagem de 95%?”- Pergunta no Facebook, insinuando um agravamento dos custos da empreitada na Praia das Palmeiras.