Renovação dos dadores garante autossuficiência de sangue
No ano passado, a Madeira registou 5.800 dádivas benévolas de sangue, asseguradas por 3.064 dadores, 217 dos quais pela primeira vez. Foram hoje homenageados 312 dadores que completaram entre 10 a 100 dádivas
A renovação dos dadores de sangue que contribuem para as reservas do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) tem garantido a autossuficiência da Madeira neste âmbito, ainda que Rui Pimenta saliente a importância de serem mantidas as dádivas regulares ao longo de todo o ano para garantir a resposta às necessidades dos doentes.
O médico do Serviço de Sangue e Medicina Transfusional do SESARAM falava à margem da cerimónia comemorativa do Dia Mundial dos Dadores de Sangue na Região, que teve lugar esta segunda-feira, no Madeira Tecnopolo, onde foram homenageados 312 dadores, oito dos quais que completaram 100 dádivas.
Em 2025, o Serviço de Sangue contabilizou mais de três mil dadores activos, responsáveis por quase seis mil dádivas de sangue. De acordo com Rui Pimenta, estes números permitem manter a autossuficiência da Região, um objectivo que tem sido alcançado ao longo dos anos.
Rui Pimenta salientou ainda a evolução do perfil dos dadores madeirenses. Se no passado predominavam homens com mais de 50 anos, actualmente verifica-se uma maior participação de jovens e mulheres.
“Em 2025, cerca de 50% dos dadores tinham menos de 45 anos e 40% eram mulheres”, revelou, considerando que esta renovação geracional oferece maior confiança quanto à sustentabilidade futura das reservas de sangue.
Apesar desta evolução positiva, Rui Pimenta defendeu a continuação das campanhas de sensibilização e do recrutamento de novos dadores, lembrando que ainda persistem alguns mitos associados à dádiva de sangue. O médico garantiu que o serviço está disponível para esclarecer dúvidas e acompanhar todos os potenciais candidatos a dadores.
Os homenageados deste ano receberam diplomas pelas dez dádivas efetuadas e medalhas pelas 20, 40, 60 e 100 dádivas alcançadas.
Para Rui Pimenta, estes números reflectem um compromisso extraordinário com a comunidade. “São pessoas que, ao longo de anos e até décadas, ajudaram a salvar inúmeras vidas através de um gesto simples e voluntário”, sublinhou.
Aos jornalistas, reforçou, ainda, que a realidade regional é actualmente mais favorável do que a verificada noutras zonas do País, mas a curta validade dos componentes sanguíneos obriga a um trabalho permanente de renovação das reservas.
“A nossa situação, felizmente, é estável. Pode até ser um pouco melhor do que a situação do continente. Mas nunca podemos ter um excesso de confiança”, afirmou.
Rui Pimenta explicou que os glóbulos vermelhos, utilizados nas transfusões de sangue, têm uma validade máxima de seis semanas, enquanto as plaquetas podem ser armazenadas durante apenas cinco dias. Por essa razão, sublinhou que o objectivo não passa por concentrar grandes campanhas de recolha em determinados períodos, mas sim garantir dádivas constantes ao longo do tempo.
“Pode estar tudo bem hoje e não estar daqui a um mês e meio. O que nos interessa são dádivas sustentadas, para conseguirmos renovar continuamente o stock e assegurar o tratamento dos nossos doentes”, destacou.