Forças de segurança vivem tempos particularmente exigentes
As forças de segurança vivem tempos particularmente exigentes, até pelos palcos digitais e mediáticos onde se veem envolvidas, e, nesse contexto, a formação de novos agentes assume importância e complexidade acrescida, disse hoje um oficial da PSP.
Intervindo, na Figueira da Foz, no seminário "Direitos Humanos e Forças de Segurança: Confiança no Dever de Respeitar e Proteger", promovido pela Escola da Guarda (EG) da Guarda Nacional Republicana (GNR), o diretor do Departamento de Formação da PSP, Nuno Poiares, frisou ainda que a segurança é o petróleo português e que uma força de segurança, sem direitos humanos, perde a legitimidade.
"Nunca os polícias foram tão observados, tão escrutinados, tão filmados, tão comentados e tão rapidamente julgados na praça pública. Beliscando, tantas vezes, o princípio constitucional da presunção de inocência, outro direito humano", argumentou.
"A ação das forças de segurança deixou de estar circunscrita ao meio físico. O seu palco também se situa no espaço digital, mediático e emocional", vincou Nuno Poiares, acrescentando que um agente da PSP ou um militar da GNR contemporâneo já não gere apenas ocorrências: "Gere perceções, gere narrativas, gere expectativas públicas, e isso exige uma preparação e uma formação muito mais complexa", alertou o superintendente.
No seu discurso, perante mais de 200 oficiais e guardas da GNR -- muitos dos quais integrantes de um curso de formação de sargentos a decorrer no polo de formação da Figueira da Foz da EG -- Nuno Poiares notou que nos dias de hoje, formar um militar da GNR ou um polícia da PSP, "não pode significar apenas ensinar legislação, técnica policial, armamento ou defesa pessoal. Tudo isso continua a ser essencial, mas já não basta".
"É necessário formar profissionais emocionalmente inteligentes, culturalmente competentes, juridicamente sólidos e eticamente preparados para lidar com sociedades plurais, fragmentadas e altamente exigentes", enfatizou.
Nuno Poiares enfatizou ainda que os novos desafios que as atuais forças de segurança enfrentam resultam de serem "frequentemente colocadas no centro de tensões políticas, ideológicas e identitárias que não criaram, mas que acabam por ter de gerir naquilo que é o seu laboratório: a rua", declarou.