CHEGA visita Lota do Caniçal e denuncia "estado de abandono, degradação e perseguição que sufoca o sector"
O grupo parlamentar do CHEGA realizou ontem uma visita à Lota do Caniçal para denunciar "o estado de abandono, degradação e perseguição que sufoca o sector na Região Autónoma".
O deputado Hugo Nunes aponta directamente o dedo à gestão da directora regional das Pescas, Sónia Pereira, acusando-a de "tentar tapar o sol com a peneira após as denúncias públicas".
Diz ainda que "sob pressão, a Direcção Regional apressou-se a dar uma conferência de imprensa, depois de saber que o CHEGA lá tinha estado, alegando que a partir de hoje o entreposto estará a funcionar e que a câmara frigorífica nunca deixou de trabalhar".
“Esta reasção não passa de um insulto à inteligência dos pescadores e um atestado de falsidade. A verdade dos factos, constatada no local, desmente categoricamente a tutela: o entreposto do Caniçal esteve efetivamente encerrado e avariado esta semana, forçando à retirada de emergência de todo o peixe para o Funchal e pondo em risco a qualidade do produto. Afirmar que tudo funciona é uma falácia quando os homens do mar enfrentam diariamente a falta de caixas para descarga, a ausência de gelo e a existência de apenas uma empilhadora operacional. Se o material estivesse em condições, o pescado não teria de ser desviado à pressa”, afirmou Hugo Nunes.
O deputado acrescenta que a radiografia deste sector "mostra uma quota do atum que já foi de 11 mil toneladas por ano e agora nem chega a 3 mil, deixando cada vez mais barcos em terra e mais famílias empurradas para o desemprego". Para agravar, diz, "a Direcção Regional colocou limites absurdos nas descargas diárias por barco, uma restrição imposta unicamente porque os serviços no Caniçal e no Funchal são uma desgraça e não têm meios, equipamento nem pessoal para dar resposta".
“Batemos no fundo com uma liderança incompetente que, em vez de estar no terreno a resolver a falta de gelo e a arranjar o frio, passa o tempo em reuniões a tentar descobrir quem é que fala com o CHEGA. Ouvimos relatos dramáticos de pescadores a ver o peixe a ficar podre por falta de condições e é uma autêntica brincadeira com a vida das pessoas que a resposta da Diretora Regional seja dizer que amanhã já funciona”, criticou o parlamentar.
Hugo Nunes garante ainda que o partido "não tem medo dos esquemas de monopólio com a empresa ‘Ilha Peixe’ — que tem ligações ao governo e pretende ficar com o direito exclusivo de compra para matar o pequeno comércio — e prometeu que o CHEGA continuará a ser a voz firme dos homens do mar".
Para além do "colapso logístico e económico", o partido repudia "o clima de perseguição ditatorial que se instalou na Direcção Regional, onde pescadores, armadores, comerciantes e até colaboradores da própria instituição estão a ser pressionados e vigiados para que se silencie qualquer simpatia política".
O CHEGA lamenta que “a tutela esteja mais interessada nesta caça às bruxas do que em defender o sector, lembrando que tem apresentado inúmeras propostas no parlamento regional, como o aumento das quotas, a troca de quotas não utilizadas por Portugal por quota de atum, a protecção especial da pesca tradicional e o combate à pesca ilegal nos mares da Madeira e dos Açores". No entanto, acrescenta, "a grande maioria tem sido chumbada pela união de interesses entre o PSD, PS, CDS e IL.”
Garante que "o partido não vai recuar perante o governo ou os interesses instalados, ciente de que a Direcção Regional pode tentar branquear a incompetência, mas a realidade dos portos falará sempre mais alto".