Cunha e Silva denuncia desigualdades na educação
O presidente da Estrutura de Missão para as Comemorações do 50.º aniversário da Autonomia da Madeira, João Cunha e Silva, colocou o foco na necessidade de aprofundar a autonomia regional, sublinhando que esta não se pode limitar ao plano formal das leis, devendo traduzir-se em efectivo poder de decisão nas áreas essenciais.
“A autonomia tem um aspeto formal que tem a ver com as leis, mas não tem conteúdo se não passar para o poder regional”, afirmou, destacando sectores como a saúde e a educação como exemplos claros dessa necessidade de transferência de competências.
No campo da educação, segundo indicou, estarão actualmente cerca de 6.500 estudantes madeirenses a estudar no continente, o que representa um esforço financeiro significativo. “Entre propinas, viagens, alimentação e alojamento, trata-se de uma quantia muito considerável todos os anos. Estou a falar de milhões que vão daqui para lá”, frisou, questionando a igualdade de oportunidades consagrada na lei.
Também na área dos transportes aéreos, Cunha e Silva criticou os custos das viagens, que classificou como “ofensivos”, lembrando que medidas que deveriam beneficiar a população acabaram por se transformar num “pesadelo”.
A habitação foi outro dos pontos destacados, com o responsável a considerar que os custos actuais são “insuportáveis para a família do estudante”, agravando ainda mais as dificuldades de quem procura formação fora da região.
No desporto, apontou desigualdades no tratamento dado aos atletas madeirenses, referindo que estes se encontram em desvantagem face aos do continente. Criticou ainda o modelo de financiamento no futebol, considerando incompreensível que clubes do continente recebam apoios para se deslocarem à Madeira, enquanto os clubes regionais e o Governo Regional têm de suportar custos elevados para competir fora.
“Fala-se em igualdade, mas atletas regionais com potencial têm muitas vezes de pagar do seu próprio bolso para prestar provas no continente”, lamentou.
João Cunha e Silva destacou igualmente a situação da Universidade da Madeira, que conta actualmente com cerca de 4.300 estudantes, alertando para constrangimentos orçamentais e a necessidade urgente de expansão de infraestruturas.
“A Universidade da Madeira tem sido um pilar fundamental, mas o Estado não pode continuar a olhar para o lado e permanecer indiferente”, afirmou.
Concluindo, o responsável garantiu que a luta autonómica está longe de terminada. “Vamos continuar a aguardar, porque ainda estamos longe de sermos crentes desta forma”, disse, reafirmando que o caminho passa por uma autonomia mais efectiva e justa.
Decorre esta manhã as 'Conferências da Autonomia' dedicada à Educação. Conta com Marçal Grilo e com Nuno Crato como oradores convidados, na Reitoria da Universidade da Madeira.