PME devem planear bem o Verão
Falta de planeamento, comunicação deficiente e ausência de substituições comprometem a produtividade e resultados nas empresas portuguesas. Para as pequenas e médias empresas (PME) a época do Verão pode ser um teste de perseverança e, sobretudo, à maturidade organizacional.
Segundo a Ciphra, empresa especializada em consultoria empresarial, recursos humanos e desenvolvimento organizacional, existem cinco erros recorrentes que muitas PMEs continuam a cometer durante os meses de Verão, que podem ter impacto directo na produtividade das mesmas.
Gerir bem o verão é também gerir melhor as pessoas. Ciphra
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, as PME empregam 4,7 milhões de pessoas e representam 77,4% do emprego total do sector não financeiro. Num inquérito internacional conduzido pela Robert Half (empresa de consultoria de recursos humanos), o mau planeamento de férias foi apontado por 20% dos gestores como causa directa da quebra de produtividade. Já os dados da Ordem dos Psicólogos mostram que cerca de 61% dos trabalhadores em Portugal se sentem em risco de burnout.
Dados que apontam para uma necessidade de cuidados redobrados na organização das PME para a época estival, quando o planeamento de férias é, regra geral, mais complicado. Para a Ciphra, o Verão deve ser encarado como uma oportunidade para preparar o futuro e reforçar a eficiência organizacional.
Um dos maiores equívocos que continuamos a encontrar nas PME é a ideia de que o verão é um período de pausa para a gestão. Na realidade, é precisamente nesta altura que se testam a capacidade de planeamento, a maturidade organizacional e a autonomia das equipas. As empresas que conseguem antecipar necessidades, distribuir responsabilidades e manter uma comunicação eficaz entram no último trimestre do ano com uma vantagem competitiva significativa. Maria João de Figueiredo, directora geral da Ciphra.
A responsável sublinha que as PME que adoptam boas práticas de gestão estival registam benefícios que vão além da continuidade operacional. A preparação adequada das equipas contribui para reduzir o absentismo não planeado, melhorar a retenção de talento e fortalecer a cultura organizacional, factores relevantes num mercado de trabalho em que, segundo os dados mais recentes do INE, os gastos com pessoal nas PME cresceram 9,5% em 2024, reflectindo a pressão crescente para atrair e fidelizar colaboradores.
Assim, a Ciphra identifica os cinco principais erros que as PME cometem na gestão do Verão:
1. Deixar o planeamento de férias para a última hora
A falta de organização das férias das equipas pode gerar conflitos internos, ausência simultânea de colaboradores críticos e dificuldades na resposta a clientes e parceiros. O planeamento antecipado permite distribuir recursos de forma equilibrada, identificar necessidades de reforço temporário e assegurar a continuidade das operações.
2. Não preparar substituições para funções-chave
Muitas empresas continuam excessivamente dependentes de determinados colaboradores para processos críticos. Quando não existem procedimentos documentados ou equipas preparadas para assegurar a continuidade das tarefas, as ausências podem provocar atrasos, perda de eficiência e aumento do risco operacional.
3. Reduzir a comunicação interna
Durante o período de férias, as equipas tendem a trabalhar com horários diferentes e níveis de disponibilidade distintos. A ausência de comunicação clara sobre prioridades, responsabilidades e prazos pode gerar falhas de coordenação e impactar a qualidade do serviço prestado aos clientes.
4. Ignorar o impacto da sobrecarga de trabalho
É frequente algumas organizações concentrarem tarefas adicionais nos colaboradores que permanecem em funções durante os meses de Verão. Esta prática pode conduzir a situações de desgaste, desmotivação e diminuição da produtividade, precisamente numa altura em que a capacidade de resposta da empresa deve permanecer estável.
5. Adiar decisões importantes para Setembro
Embora o Verão seja um período mais tranquilo em alguns sectores, adiar sistematicamente decisões estratégicas, projectos ou processos de recrutamento pode criar atrasos acumulados que acabam por afectar o desempenho da empresa no último trimestre do ano.