Olhem e verão…
Está aí à porta, o Verão, com o seu calorzinho a puxar uma cervejinha fresquinha ao fim da tarde para relaxar das agruras de mais um dia passado na labuta, para que a sobrevivência seja um pouco mais do que tentar que o mês coincida com o ordenado que se vai encurtando dia a dia, espreitando o calendário de vez em quando para ver quem ganha esta espécie de corrida que raramente termina empatada, quase sempre com o mês a triunfar sobre o ordenado, pela margem mínima a suspirar por um empate ou com o ordenado a sorrir quando consegue chegar à meta antes que o mês o faça.
É a vida, como disse uma vez António Guterres, é a vida, que se faz de altos e baixos, de labor e lazer, de tentativas e erros, de realidade e ficção que tantas vezes se mesclam fazendo pensar que o que já foi ficção pode rapidamente transformar-se em realidade.
São as guerras inúteis, fantasticamente definidas por Erich Hartmann como sendo um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre si, por decisão de velhos que se conhecem e se odeiam, mas não se matam (e sim, já citei esta frase por mais de uma vez), como as que temos visto sem as sentir, que olhamos à distância sem as ver.
Mas olhem e verão!
É a intolerância que se tem enraizado nas sociedades ditas desenvolvidas, que se autodefinem como tolerantes, mas que fazem lembrar uma frase que em algumas redes ditas sociais se atribui a Fiódor Dostoiécski, mas que na realidade não é da sua lavra, exemplificando que o falso pode soar a verdadeiro desde que se queira acreditar que é assim, frase que diz mais ou menos assim: a tolerância chegará a um nível tal que as pessoas inteligentes serão proibidas de pensar para não ofender os idiotas!
Mesmo não sendo de quem é atribuída a autoria, tem um fundo de razão, a frase. Vivemos numa época em que pensar converteu-se num crime, quando a sensibilidade dos idiotas vale mais do que a clarividência do estudioso, vivemos numa sociedade que protege a estupidez e uma sociedade que protege a estupidez está condenada a ser governada por ela.
Olhem e verão!
O mundo será destruído não pelos maus, mas sim pelos idiotas que não suportam que alguém pense de forma diferente.
A intolerância dos que não arriscam pensar que pensar de uma forma diferente pode ajudar ao desenvolvimento, que uma conversa sobre as questões pode levar luz a temas que a obscuridade do politicamente correcto (instalado nas ditas sociedades modernas por via do pensamento burocrático), que abafa a criatividade e a interajuda, levando a que pessoas, bem formadas inclusivamente, possam ter, de uma forma talvez até subconsciente, atitudes próximas, senão iguais, às proclamadas pela estupidez de velhos idiotas que, odiando-se não se matam, mas matam e fazem matar pessoas que não se odeiam nem querem ter qualquer sentimento de ódio pelos que estão do outro lado da fronteira, seja ela física e definida pelos homens, seja ela uma fronteira quase imaginária que transforma a burocracia no maior entrave ao desenvolvimento de novas e diferentes ideias que são abafadas por agentes que se sentem com poder para proibir o pensamento diferente.
E agora, que chegou o Verão, olhem e verão que num fim de tarde é agradável bebericar uma cervejinha bem fresquinha.
Olhem, é Verão!