Associação Sindical dos Profissionais de Polícia alerta para falta de agentes
Para Paulo Santos, a realidade dos Açores e da Madeira tem de ser colocada como prioridade na PSP
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) alertou hoje para a falta de efetivos e de condições das esquadras nos Açores, admitindo promover ações de luta, em setembro, se não tiver respostas do Governo.
"Se há falta de efetivo na PSP a nível nacional, nota-se, claramente, mais dificuldades nos Açores. Constatámos polícias a trabalhar sozinhos nas esquadras. Tivemos informações graves de que há colegas da PSP a ir a ocorrências sozinhos, o que compromete a segurança do próprio e também da comunidade", afirmou, em declarações à Lusa, o presidente do ASPP, Paulo Santos.
O dirigente sindical esteve, esta semana, na ilha Terceira, nos Açores, onde visitou esquadras e se reuniu com agentes da PSP, governantes e autarcas, entre outras entidades.
Paulo Santos disse que os problemas são comuns aos detetados nas esquadras do continente, mas nos Açores são sentidos "de uma forma mais aguda".
"Constatámos muitas esquadras com fracas condições de trabalho, aliás, tanto ao nível da falta de efetivo como das esquadras. Tivemos a oportunidade de conversar com autarcas e os próprios autarcas dizem que, efetivamente, não se vê polícia na rua, veem-se polícias isolados, e admitem que as esquadras são fracas", enumerou.
A ASPP alertou também para a discriminação dos agentes da PSP dos Açores, que continuam sem ter acesso ao suplemento de insularidade e ao suplemento dos operadores de 112.
Segundo o presidente da associação sindical, a falta de agentes da PSP e a degradação das esquadras têm vindo a agravar-se nos últimos "dois a três anos" no arquipélago, sem respostas do Governo da República.
"O contexto a que nós assistimos é grave e não vemos do lado do Governo central, que é quem tem a responsabilidade de gerir a segurança interna, vontade política de resolver esses problemas. E vemos, por vezes, autarcas a reconhecer estas anomalias, a tentar ajudar, mas também com muita burocracia. E vemos também os colegas numa situação de isolamento. Isto preocupa-nos imenso", salientou.
Se não obtiver respostas do Governo da República, o dirigente da ASPP admitiu regressar aos Açores em setembro e "encetar um conjunto de lutas e protestos nas ilhas".
"Temos de ter a noção de que a PSP está com muita dificuldade de atrair jovens. Os candidatos não aparecem, os concursos têm ficado abaixo das necessidades. E principalmente quando temos os gestores em Lisboa, a dimensão insular fica ainda mais secundarizada", apontou.
Para Paulo Santos, a realidade dos Açores e da Madeira tem de ser colocada como prioridade na PSP.
"O que nos preocupa mesmo é a segurança dos próprios elementos policiais nos Açores, porque não podemos admitir que os polícias trabalhem isolados, não podemos admitir que os polícias dos Açores continuem a perder folgas porque o efetivo é escasso", alertou.
O sindicalista disse que a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) nos aeroportos veio agravar a falta de agentes, reiterando o apelo ao reforço do efetivo nas esquadras.
"Não posso dizer se 100 polícias eram muito ou 200 eram muito. Sabemos é que o quadro que existe atualmente para as esquadras e para os aeroportos e aerogares é insuficiente para aquilo que são as nossas necessidades", adiantou.
Paulo Santos admitiu que há esquadras em risco de fechar, por falta de efetivos e de condições físicas, dando como exemplo a esquadra dos Biscoitos, no concelho da Praia da Vitória.
"Sabemos que há aqui uma janela de oportunidade por parte do Governo para encerrar essa esquadra, mas nós não queremos que encerre, tal como o seu presidente da junta. Queremos, sim, que haja mais reforço do efetivo e a melhoria das condições de trabalho", vincou.
Também o deputado do PSD eleito pelos Açores à Assembleia da República Paulo Moniz apelou ao reforço de agentes da PSP nas esquadras da região, no âmbito de uma audição do ministro da Administração Interna, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na quarta-feira.
"Sabemos que houve o reforço de 30 agentes para a segurança aeroportuária, o que consideramos importante, mas queremos deixar o alerta para manter esta prioridade, porque, de facto, a dispersividade geográfica das diversas ilhas torna a alocação dos efetivos num exercício com características diferentes, na sua mobilização e cooperação, no dia-a-dia, face ao restante território nacional", afirmou o deputado social-democrata, citado em comunicado de imprensa.