Governo quer transformar programa ‘Saber Fazer’ em política pública permanente
Secretário de Estado da Cultura anuncia continuidade do projecto após o fim do financiamento do PRR
O secretário de Estado da Cultura, Juventude e Desporto, Alberto Santos, defendeu hoje, à margem do encerramento do ‘Encontro Regional da Rede Portuguesa Saber-Fazer | Matérias e Saberes da Madeira’, a necessidade de preservar e valorizar os saberes tradicionais portugueses, sublinhando a intenção do Governo da República de transformar o programa numa política pública de continuidade.
A iniciativa decorre no Centro Cultural e de Investigação do Funchal (CCIF), antigo Matadouro do Funchal, reunindo artesãos da Madeira e de várias regiões do continente para partilha de conhecimentos nas áreas dos bordados, do vime e de outras artes tradicionais.
Segundo Alberto Santos, o Programa Nacional Saber Fazer Portugal nasceu com o objectivo de proteger conhecimentos ancestrais que correm o risco de desaparecer caso não sejam preservados e transmitidos às novas gerações.
O governante explicou que o projecto, financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), aproxima-se da sua conclusão, uma vez que o actual ciclo termina em 2026. No entanto, garantiu que o Executivo pretende assegurar a continuidade da iniciativa através da Direcção-Geral das Artes (DGArtes).
“Estamos na antecâmara de algo que queremos transformar numa política pública de continuidade e permanente”, salientou, adiantando que será criado um instrumento de apoio que permitirá financiar associações e artesãos, contribuindo para a salvaguarda do património imaterial português.
Alberto Santos reconheceu que ainda não existe um retrato rigoroso do número de artesãos existentes no país, uma vez que o processo de mapeamento destas actividades tradicionais continua em curso.
O secretário de Estado referiu ainda que a realidade varia significativamente de região para região e de actividade para actividade.
Quanto ao investimento realizado, Alberto Santos indicou que o Programa Saber Fazer contou com um financiamento global de cerca de 1,6 milhões de euros ao longo dos últimos dois anos e meio, verba que permitiu apoiar encontros, investigações e a criação de redes de colaboração entre artesãos de diferentes regiões do país.
O encontro conta ainda com a presença do secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, do director-geral das Artes, Américo Rodrigues, bem como de diversos artesãos ligados às artes tradicionais da Madeira e do continente.