Livro 'Portugal da Ditadura à democracia' é lançado amanhã em Lisboa
O livro 'Portugal: da Ditadura à Democracia', concebido pelo historiador e escritor Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Marques Valentim, um dos mais relevantes nomes do fotojornalismo português contemporâneo, é apresentado amanhã, pelas 18 horas, na sede da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa.
A sessão integra o programa evocativo do centenário do nascimento de Mário Soares e Maria Barroso. Antes da apresentação da obra, pelas 17 horas, será inaugurada uma exposição fotográfica de Marques Valentim dedicada à vida, ao percurso e ao legado daquele casal, considerado um símbolo da democracia portuguesa.
Publicada numa edição bilingue, em português e inglês, com tradução de Paulo Teixeira e prefácio de João Soares, a obra reúne mais de duas centenas de fotografias emblemáticas, registos menos divulgados e imagens inéditas que percorrem um dos períodos mais marcantes da história contemporânea portuguesa.
Através do olhar de Marques Valentim, o livro documenta o Portugal da ditadura, o processo revolucionário desencadeado pelo 25 de Abril de 1974, a consolidação da democracia e as profundas transformações sociais, políticas e humanas vividas nas décadas de 1970 e 1980.
Entre os momentos retratados encontram-se a guerra colonial em Moçambique, onde o fotojornalista registou o quotidiano das populações locais e das vivências do conflito, bem como os principais acontecimentos do período revolucionário português, incluindo a tentativa de golpe de Estado de 11 de Março de 1975, o Caso República, o Caso Rádio Renascença, o conturbado 'Verão Quente' e o 25 de Novembro.
A publicação dedica igualmente atenção à dimensão humana deste período da história nacional, retratando figuras marcantes da democracia portuguesa e do processo de adesão à então Comunidade Económica Europeia, mas também trabalhadores, famílias, comunidades do Portugal profundo e emigrantes que partiram em busca de melhores condições de vida. A obra aborda ainda a chegada e integração dos chamados "retornados", na sequência da descolonização.
Segundo Daniel Bastos, a edição deste espólio constitui um "imperativo de memória" e representa "um justo reconhecimento a um dos mais relevantes nomes do fotojornalismo português, injustamente pouco conhecido". O historiador destaca ainda que a publicação, construída a partir de um acervo superior a 150 mil negativos, representa "um contributo para o aprofundamento histórico, cívico e plural da sociedade portuguesa no último quartel do século XX".
Num tempo em que se torna particularmente importante preservar a memória colectiva sobre os caminhos da liberdade e da democracia, a obra pretende também promover uma reflexão sobre o passado recente do país e contribuir para a construção de uma consciência cívica crítica.
Entre as mais de duas centenas de imagens incluídas no livro encontra-se uma fotografia do antigo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, captada em Lisboa, em 1978.