Sílvia Silva acusa Governo Regional de agravar custo da alimentação através de monopólios
A deputada Sílvia Silva (PS) acusou, na sessão plenária desta manhã, o Governo Regional de contribuir para o aumento do custo da alimentação no nosso arquipélago através de políticas que favorecem monopólios, limitam a concorrência e agravam a dependência alimentar da Madeira.
Durante uma intervenção no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, a parlamentar socialista sustentou que o aumento do preço dos alimentos resulta de factores globais, como as alterações climáticas, os conflitos internacionais e os custos da energia e dos fertilizantes. No entanto, defendeu que a forma como esses impactos são sentidos na Região revela falhas na governação regional.
Pelas contas da deputada, o cabaz alimentar aumentou cerca de 50% nos últimos três anos na Madeira, situação que tem levado muitas famílias a reduzir a qualidade da alimentação, a depender de apoios sociais e a enfrentar dificuldades acrescidas no acesso a bens essenciais.
Sílvia Silva afirmou que a Madeira apresenta uma das mais elevadas taxas de insegurança alimentar do país, considerando que a resposta do Governo Regional tem sido marcada pela concentração de poder e pela criação de estruturas que limitam a concorrência em vários sectores ligados à produção e comercialização de alimentos.
A mesma deputada socialista apontou o caso da banana como um dos exemplos mais evidentes, acusando a GESBA de perpetuar práticas que dificultam o reconhecimento de novas organizações de produtores e que acabam por aumentar os preços ao consumidor sem beneficiar os agricultores.
Criticou igualmente as regras aplicadas à comercialização das lapas, alegando que o executivo regional impõe exigências superiores às previstas na legislação europeia e nacional. Na sua óptica, essas medidas favorecem intermediários, aumentam os custos de comercialização e contribuíram para uma subida significativa do preço deste produto nos últimos anos.
No sector marítimo, Sílvia Silva acusou o Governo de retirar competências às autarquias e de favorecer determinados grupos económicos, apontando como exemplo a instalação de jaulas de piscicultura na Baía d’Abra (Caniçal). Já nos transportes e no retalho, considerou que o modelo económico dominante continua a limitar a concorrência e a encarecer o abastecimento da Região.
A representante do PS abordou ainda a situação da agricultura e da produção animal, defendendo uma maior valorização da agricultura familiar, do pastoreio e da ocupação sustentável dos solos agrícolas. Criticou o que considera ser uma aposta excessiva em modelos intensivos de produção, mais dependentes de energia, fertilizantes e pesticidas.
Já no final da intervenção, Sílvia Silva sustentou que parte da inflação sentida pelos madeirenses resulta directamente das opções políticas do Governo Regional, acusando o executivo de Miguel Albuquerque de promover um modelo que beneficia intermediários e grupos económicos em detrimento dos produtores e consumidores. Para a deputada do PS, a política agroalimentar regional falhou, sendo os madeirenses quem suporta as consequências através do aumento do custo de vida e da alimentação.