Chavismo diz que "muitos" opositores que regressaram ao país "voltaram a ir" para o estrangeiro
O ministro do Interior da Venezuela e dirigente do chavismo, Diosdado Cabello, afirmou hoje que "muitos" dos opositores que anunciaram nas últimas semanas o seu regresso ao país, após terem estado no exílio, já "voltaram a ir" para o estrangeiro.
Na conferência de imprensa semanal do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV),no poder, Cabello questionou-se sobre o paradeiro de políticos como o ex-deputado regional Lester Toledo, que chegou ao país a 21 de maio, após uma década no que o próprio opositor chamou de "exílio forçado", depois de ter sido acusado de um crime de terrorismo.
Toledo tinha regressado com o objetivo de receber uma resposta judicial ao seu pedido de amnistia.
"Muitos voltaram e foram embora outra vez, foram. Onde está Lester Toledo? Para mencionar um", afirmou o ministro nas declarações transmitidas pelo canal estatal VTV.
Cabello também saudou o facto de "alguns" terem regressado ao país e negou que tenham sido "perseguidos".
Além de Toledo, regressaram à Venzuela opositores como Richard Blanco, Yon Goicoechea, Carlos Ocariz, Wilmer Azuaje, Marcos Velazco, Roberto Marrero e José Guerra, assim como o ex-governador César Pérez Vivas, aliado da Nobel da Paz María Corina Machado, e a ativista hispano venezuelana Rocío San Miguel.
Vários também regressaram no âmbito da amnistia, aprovada há quase quatro meses pelo Parlamento e que, segundo disse hoje Cabelo, representou um "grande passo para a reconciliação e a união do país", embora tenha assegurado que "nenhuma pode ser eterna".
Em abril passado, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que a amnistia tinha chegado "ao seu fim".
A chefe de Estado, que assumiu o cargo após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, não deu então detalhes nem explicou em que consistia o "fim" da Lei de Amnistia, aprovada a 19 de fevereiro, mas garantiu que os casos que "estavam expressamente excluídos" no texto poderiam ser atendidos em outros espaços.
No entanto, o deputado chavista Jorge Arreaza, que preside à comissão parlamentar para o acompanhamento da amnistia, esclareceu posteriormente que esta norma não perde validade e que os pedidos continuariam a ser recebidos.
A Lei da Amnistia contempla um período de 27 anos, desde 1999 - quando o chavismo chegou ao poder -, mas indica que será concedida a pessoas ligadas a 13 "factos" ocorridos em 13 anos diferentes, o que exclui o resto do tempo estabelecido, bem como casos relacionados com operações militares e outros crimes, como corrupção, homicídio e violações de direitos humanos.
Até 22 de abril, 8.616 pessoas tinham sido beneficiadas com a amnistia, das quais 314 estavam presas e o restante tinha medidas cautelares, segundo números oficiais.