APAV apoiou 40 idosos que foram vítimas de violência na Madeira entre 2021 e 2025
Números constam das Estatísticas APAV | Pessoas Idosas Vítimas de Crime e Violência | 2021-2025
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima publicou, esta segunda-feira, Dia Mundial da Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa, as Estatísticas APAV - Pessoas Idosas Vítimas de Crime e Violência, referentes ao período entre 2021e 2025. No caso da Madeira, foram apoiadas pela associação 40 vítimas com residência no arquipélago da Madeira.
O número é significativamente inferior ao registo no arquipélago dos Açores, onde foram registadas 215 vítimas no mesmo período. No entanto, há várias condicionantes a ter em conta. Desde logo, ao contrário do que sucede no arquipélago açoriano, na Madeira não existe uma sede da APAV, que preste apoio presencial. Esse contacto é estabelecido por via telefónica, perdendo a proximidade.
Depois, tal como afirmou Marta Mendes ao DIÁRIO, “o silencio facilita a violência”. No entanto, há respostas concretas por parte da APAV e de outras instituições. No entanto, continua a reinar o medo e o preconceito. “A Organização das Nações Unidas estima mesmo que uma em cada seis pessoas com 60 ou mais anos já tenha sido vítima de alguma forma de violência e que 80% dos casos de violência contra as pessoas mais velhas não chega a ser reportado”, indica a gestora APAV Mais - Apoio a Pessoas Idosas Vítimas de Crime e de Violência.
Olhando os dados referentes à Madeira, percebemos que a maioria dos casos reportados em cinco anos foram registados no Funchal, num total de 20 casos. Segue-se o concelho de Santa Cruz com 6 casos, Calheta, Câmara de Lobos e Machico com três casos e ainda Porto Santo com dois. Houve outros casos em que foi possível perceber identificar o distrito/região de residência mas não o município em concreto.
Contudo, a APAV acredita que estes são números que estão longe de espelhar a realidade. “O aumento de casos, se calhar, não reflecte de todo a realidade das vítimas. Esta pode ser até mais trágica e silenciosa. Daí o que nós entendemos é que o reconhecimento destas vítimas, sobretudo destas pessoas mais velhas, tem sido lento, mas é hoje um fenómeno cada vez mais evidente dentro do processo de envelhecimento populacional”, aponta Marta Mendes.
A nível nacional, entre 2021 e 2025, a APAV apoiou 8.540 pessoas idosas vítimas de crime e violência, correspondendo a 15.804 crimes e outras formas de violência. Os dados revelam um aumento de 26,5% no número de pessoas idosas apoiadas ao longo deste período. A violência doméstica é o crime mais frequente, representando 78,9% dos casos, seguindo-se ameaça ou coação (3,7%), a ofensa à integridade física (3,2%), a difamação ou injúria (3%) e a burla (2%). A maioria das vítimas apoiadas era do sexo feminino (76,3%), tinha entre 65 e 74 anos de idade (49,4%) e nacionalidade portuguesa (92,7%).
Além disso, fica patente que a maioria dos crimes ocorre em contexto familiar e perpetrados por parentes próximo, como é o caso de filhos da vítima ou mesmo cônjuges. Outro dado apurado indica que metade das vítimas apoiadas (53,6%) encontrava-se em situação de vitimação continuada e a maioria leva cerca de dois anos para apresentar a primeira queixa, isto quando o fazem. A indicação é dada porque 46,6% das vítimas não apresentou queixa nem viu a sua situação denunciada às autoridades.
“Em verdade, nós sabemos que o silêncio não protege a vítima, mas sim a pessoa agressora. Assim, se não desligarmos, se não culparmos a vítima, se não criticarmos, mas antes se tentarmos ouvir atentamente, validar os seus sentimentos, procurar que a mesma recorra a serviços de apoio à vítima, vamos também potenciar a mudança de rumo daquele contexto violento”, termina Marta Mendes