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Fact Check Madeira

É verdade que a população jovem da ilha está a diminuir?

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Foto shutterstock

As férias escolares são, regra geral, sinónimo de jovens com mais tempo livre. Com isso, aumenta a percepção de que há muitos deles em todo o lado. Um pouco como acontece quando se lêem comentários sobre os idosos que enchem os autocarros em hora de ponta.

“Ainda nem começaram as férias escolares e já vemos jovens ‘em cima’ de jovens… é nos transportes públicos, é nas ruas, é nas praias, é na diversão nocturna… e ainda dizem que há uma diminuição”, diz um dos leitores do DIÁRIO, lançando a questão de saber se, efectivamente, há uma diminuição do número de jovens na ilha da Madeira.

Outro leitor, numa notícia relativa ao regulamento ao Alojamento Local, expressa um ponto de vista diferente e acrescenta uma leitura mais ampla: “Há cada vez menos jovens na ilha, emprego precário e excesso de turismo. A Madeira está praticamente condenada a tornar-se um parque de diversões para os ricos e elites.”

A percepção, contudo, nem sempre acompanha a realidade estatística.

No último ‘Em Foco’ da Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) – uma publicação que sintetiza os principais resultados divulgados ao longo do ano nas diferentes dimensões da Demografia – verifica-se que, em 2024, a população residente na Região Autónoma da Madeira (RAM) foi estimada em 259.440 pessoas, das quais 123.222 homens e 136.218 mulheres, o que representa um aumento de 2.818 pessoas face a 2023, mantendo-se a tendência de crescimento pelo sexto ano consecutivo.

A taxa de crescimento efectivo foi de 10,9‰ (10,0‰ em 2023). Para esta taxa contribuiu essencialmente o valor positivo da taxa de crescimento migratório (13,9‰), que prevaleceu sobre a taxa de crescimento natural negativa (-3,0‰).

No entanto, se olharmos apenas para os jovens, verificamos que, entre 2014 e 2024, a Região registou um decréscimo de 8.383 jovens (0 a 14 anos de idade) e de 3.939 pessoas em idade activa (15 a 64 anos de idade). Em contrapartida, o número de pessoas idosas (65 ou mais anos de idade) aumentou em 14.145 indivíduos.

Em termos relativos, continua a DREM, é notória a tendência de envelhecimento demográfico observada ao longo das últimas décadas. A proporção de jovens baixou de 15,3%, em 2014, para 11,9%, em 2024, bem como a percentagem de pessoas em idade activa, que passou de 68,7% para 66,7%. Em contrapartida, no mesmo período, a percentagem de idosos aumentou de 16,0% para 21,3%.

Dito de outra forma, há dez anos os jovens representavam cerca de uma em cada seis pessoas residentes na Madeira. Hoje representam pouco mais de uma em cada nove. Apesar de a população total da Região estar novamente próxima dos 260 mil habitantes, o peso dos jovens continua a diminuir.

A tendência de envelhecimento demográfico é ainda evidenciada pela alteração do perfil das pirâmides etárias no período 2014-2024. Com efeito (ver imagem), observa-se, por um lado, o estreitamento da base da pirâmide, que traduz uma redução dos efectivos populacionais mais jovens. Em resultado desta tendência, entre 2014 e 2024, o índice de envelhecimento da população residente na Região aumentou de 105 para 179 idosos por cada 100 jovens.

Indo mais atrás nesta relação estatística, percebe-se que o fenómeno não é recente. Entre 1990 e 2020, a faixa etária dos 0 aos 14 anos passou de 62.657 para 33.150 jovens, o que representa uma quebra de cerca de 47%. Também na faixa dos 15 aos 24 anos se observa uma diminuição consistente, de 47.300 para 28.060 no mesmo período.

A evolução torna-se ainda mais expressiva quando comparada com a realidade de há três décadas. Entre 1990 e 2020, a Madeira perdeu quase metade dos seus jovens na faixa dos 0 aos 14 anos, evidenciando uma transformação na base demográfica da Região. Olhando apenas para 2024, havia 30.970 jovens com idades entre os 0 e os 14 anos. Até aos 24 anos, eram 28.673.

Contas feitas, apesar de uma maior visibilidade dos jovens nas ruas durante os períodos não lectivos, os números mostram uma realidade diferente. A Madeira tem hoje menos jovens do que tinha há uma década e muito menos do que tinha há três décadas, mantendo-se uma tendência de envelhecimento demográfico que continua a marcar a evolução da população residente.

A maior visibilidade de um grupo nas ruas do Funchal não significa necessariamente que esse grupo seja mais numeroso.