Avião ambulância que transportava infectados fez escala não prevista nas Canárias para abastecer
Um dos aviões ambulância que saiu hoje de Cabo Verde rumo aos Países Baixos com doentes com suspeita de infeção com hantavírus fez uma aterragem não prevista nas ilhas Canárias, mas só para abastecer, disse hoje o Governo espanhol.
Segundo a Delegação do Governo de Espanha nas Canárias e o departamento de Saúde do governo regional, o avião, com dois doentes a bordo, aterrou na ilha de Gran Canaria por volta das 16:00 locais (a mesma hora em Lisboa), depois de Marrocos ter recusado um pedido para a aeronave abastecer em território marroquino.
As mesmas fontes disseram que foi autorizada esta escala nas Canárias, "uma paragem técnica", com a condição que ninguém saia ou entre no avião.
Dois aviões ambulância descolaram do aeroporto internacional Nelson Mandela, na Praia, capital de Cabo Verde, cerca das 11:00 (13:00 em Lisboa) com três ocupantes do navio cruzeiro "MV Hondius", no qual se registaram infeções por hantavírus.
Dois tripulantes com sintomas e uma pessoa assintomática, mas que partilhou a cabina com a última das três vítimas mortais a bordo, por síndrome respiratória aguda, estão a caminho dos Países Baixos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A operação na cidade da Praia decorreu durante a manhã, sob proteção das autoridades. Duas ambulâncias com pessoal médico de fato de proteção integral transportaram os três ocupantes desde o porto da Praia até ao aeroporto da capital, um percurso de cinco quilómetros e cerca de dez minutos.
Entretanto, o navio deverá deixar Cabo Verde nas próximas horas, com destino às Canárias, segundo a OMS, em busca de um desfecho para o cruzeiro que partiu da Argentina e atravessou o Atlântico Sul durante abril com 147 pessoas.
O barco fundeou no domingo na capital cabo-verdiana e deverá chegar a um porto da ilha de Tenerife, nas Canárias, no sábado, disse o Governo de Espanha.
Nas Canárias, serão retiradas do barco todas as pessoas que estão a bordo e repatriadas, ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, que Espanha já ativou.
Segundo a OMS, as Canárias são o porto mais próximo do local onde está agora o cruzeiro com todas as capacidades técnicas e de segurança de saúde pública necessárias para esta operação, disse hoje o ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
Além de ser o porto "com todas as capacidades técnicas necessárias", as Canárias são território da União Europeia e contam por isso com o quadro legal europeu e o mecanismo que garante o repatriamento das pessoas a bordo do navio "com condições de maior segurança", disse o ministro.
A ministra da Saúde espanhola, Monica García, acrescentou que todo o processo será coordenado ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, envolvendo a OMS e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), e com "todas as garantias de segurança necessárias", tanto a nível da atenção médica que possa ser precisa como das transferências e transporte de pessoas, que ocorrerão sem contacto com a população local das Canárias.
Os dois ministros explicaram que, neste momento, todas as pessoas a bordo do cruzeiro estão sem sintomas de infeção com hantavírus e que à chegada às Canárias serão de novo examinadas. Se não exigirem nesse momento atenção médica, serão repatriadas.
Quanto aos 14 espanhóis a bordo do navio, serão examinados e transferidos num avião militar para um hospital militar em Madrid, onde deverão ficar de quarentena por um período que pode chegar a 45 dias, o tempo de incubação do hantavírus.
Entretanto, a companhia aérea neerlandesa KLM informou hoje que um passageiro que morreu de infeção por hantavírus embarcou "temporariamente" num voo da empresa de Joanesburgo para os Países Baixos, esclarecendo que este foi retirado da aeronave antes da descolagem.
"Devido ao estado de saúde do passageiro naquele momento, a tripulação decidiu não permitir que ele viajasse", disse a KLM, referindo-se ao voo KL592 de Joanesburgo para Amesterdão, em 25 de abril.
"Após o passageiro ser retirado da aeronave, o voo partiu", acrescentou a companhia aérea.
As autoridades de saúde neerlandesas estão a entrar em contacto com os passageiros que estavam a bordo do voo "por precaução", afirmou ainda a KLM.
Segundo o último ponto de situação feito pela OMS, há até agora cinco casos suspeitos de infeção com hantavírus e dois confirmados em laboratório entre os ocupantes do navio cruzeiro.
Três pessoas que viajavam no "MV Hondius" morreram.
A estirpe de hantavírus detetada num dos passageiros do navio de cruzeiro, transferido para um hospital na África do Sul, é a andina, a única transmissível entre humanos, informou hoje o ministro da Saúde sul-africano.