Israel investiga soldado que pôs cigarro nos lábios de estátua da Virgem Maria no Líbano
O Exército israelita anunciou ontem que vai investigar um soldado que terá colocado um cigarro nos lábios de uma estátua da Virgem Maria no sul do Líbano, após uma fotografia do alegado incidente ter circulado nas redes sociais.
Segundo o porta-voz do Exército, Nadav Shoshani, após uma análise inicial dos factos o Exército determinou que a fotografia "foi tirada há várias semanas" numa aldeia cristã no sul do Líbano e "o incidente será investigado e serão tomadas medidas contra o militar de acordo com os resultados".
"As Forças de Defesa de Israel estão a tratar o incidente com a máxima seriedade e sublinham que a conduta do soldado é completamente contrária aos valores esperados dos seus membros", afirmou em comunicado.
Shoshani declarou que o Exército "respeita a liberdade de religião e de culto, bem como os locais sagrados e os símbolos religiosos de todas as crenças e comunidades".
Afirmou ainda que as suas forças operam para eliminar a infraestrutura "terrorista" do movimento pró-iraniano Hezbollah, sem qualquer intenção de "danificar infraestruturas civis, incluindo edifícios ou símbolos religiosos".
O incidente ocorre dias depois de um tribunal militar israelita ter condenado um soldado a 30 dias de prisão por ter atingido um crucifixo com uma marreta no sul do Líbano. Outros seis militares estavam presentes no local e, segundo o exército, "não agiram" para impedir o incidente ou denunciá-lo.
As tropas italianas da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) presentearam a comunidade de Debel com uma nova imagem de Cristo para substituir a que foi atacada pelo soldado.
O exército israelita divulgou ainda uma fotografia de um crucifixo com a imagem que supostamente teria dado à cidade como compensação.
Um cessar-fogo de 60 dias entrou em vigor no Líbano a 27 de novembro de 2024, exigindo que o Hezbollah retirasse os seus combatentes para norte do rio Litani, mas uma nova onda de combates eclodiu no início de 2026, quando os islamitas retomaram os ataques com rockets depois de Israel e os Estados Unidos terem lançado uma ação militar contra o Irão, o principal apoiante do movimento.