DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

ONU alerta para aumento de ataques em Gaza e Líbano apesar de trégua com Israel

None

O porta-voz do secretário-geral da ONU alertou hoje para um aumento das hostilidades em Gaza e no Líbano, apesar de estarem em vigor acordos de cessar-fogo com Israel em ambos os territórios.  

"Ontem registámos o maior número de trocas de tiros entre as Forças de Defesa de Israel (FDI) e grupos armados, incluindo o Hezbollah, o maior número dentro do Líbano desde o cessar-fogo de 17 de abril", afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric, citando dados da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). 

Falando na sua conferência de imprensa diária, Dujarric adiantou que a missão da ONU registou "619 lançamentos das FDI que atingiram o Líbano e 30 lançamentos contra alvos israelitas". 

"As forças de manutenção da paz relataram vários ataques aéreos israelitas realizados por caças e, separadamente, no setor leste, em Ajit, Ajit al-Qusar e Alman, helicópteros das FDI atacaram alvos terrestres com tiros de metralhadora", acrescentou. 

A 24 de abril, Israel e Líbano aceitaram prolongar por três semanas o cessar-fogo, acordado a 16 de abril, para avançar com negociações de paz. 

No entanto, as tensões entre Israel e os xiita pró-iranianos do Hezbollah persistiram. 

Na semana passada, segundo o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, registaram-se nos territórios palestinianos incidentes dos mais significativos desde a declaração do cessar-fogo, em outubro passado. 

"Instalações humanitárias foram visadas em dois incidentes separados: um ataque aéreo atingiu as proximidades de um depósito da ONU e vários veículos de ajuda humanitária foram danificados por apedrejamento", explicou Dujarric. 

O porta-voz instou todas as partes a cumprirem as suas obrigações e a protegerem as operações humanitárias, os civis e as infraestruturas. 

Israel atacou Gaza a 07 de outubro de 2023, quando o Hamas liderou um ataque surpresa contra Israel, matando 1.195 israelitas e estrangeiros e fazendo 251 reféns.  

Os objetivos declarados de Israel eram desmantelar o movimento islamita pró-iraniano Hamas e recuperar os reféns, mas a guerra tem sido alvo de intensas críticas internacionais devido ao crescente número de mortos, que ultrapassou os 70.000 em novembro de 2025, e à destruição generalizada em Gaza. 

A 08 de outubro de 2023 --- apenas um dia após o ataque do Hamas --- o movimento islamita pró-iraniano Hezbollah atacou posições israelitas com rockets e artilharia, afirmando estar a agir em solidariedade com os palestinianos.  

Israel retaliou com ataques de 'drones' e artilharia e, após mais de um ano de disparos através da fronteira, a 23 de setembro de 2024 as FDI iniciaram uma grande série de ataques aéreos, matando mais de 800 pessoas e ferindo mais de 5.000 na primeira semana.  

A 27 de setembro, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, foi morto num ataque israelita em Beirute, e a 01 de outubro de 2024, Israel iniciou uma invasão terrestre do sul do Líbano.  

Um cessar-fogo de 60 dias entrou em vigor a 27 de novembro de 2024, exigindo que o Hezbollah retirasse os seus combatentes para norte do rio Litani, mas uma nova onda de combates eclodiu no início de 2026, quando os islamitas retomaram os ataques com rockets depois de Israel e os Estados Unidos terem lançado uma ação militar contra o Irão, o principal apoiante do Hezbollah. 

Hezbollah e Hamas não reconhecem a existência de Israel, tal como a República Islâmica iraniana, com a qual mantêm alinhamento estreito e coordenação através do chamado Eixo da Resistência, que inclui outros movimentos anti-israelitas, como os Huthis do Iémen e milícias em países como o Iraque.