Ministro israelita diz que Líbano está a receber "o mesmo tratamento de Gaza"
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, declarou hoje que o sul do Líbano "está a receber o mesmo tratamento de Gaza", após o exército reivindicar a destruição de túneis do grupo xiita Hezbollah na localidade de Qantara.
Em comunicado, Katz afirmou que, juntamente com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, ordenou o alargamento da destruição de "todas as infraestruturas terroristas na zona de segurança até à Linha Amarela", que demarca as posições das tropas israelitas, "tanto subterrânea como acima do solo, tal como em Gaza".
O ministro israelita estabelecia uma comparação com as operações militares, durante a ofensiva, ao longo de dois anos, entre 2023 e 2025, contra o grupo islamita palestiniano Hamas, que destruiu grande parte da Faixa de Gaza.
Segundo Katz, a intensificação das operações israelitas no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo de três semanas em vigor, é justificada pela falta de progressos do Governo de Beirute no desarmamento do Hezbollah, aliado do Hamas e ambos apoiados pelo Irão.
O exército de Israel indicou hoje em comunicado que descobriu dois túneis do Hezbollah, com um total de dois quilómetros de extensão, na zona de Qantara, referindo que eram utilizados pelas unidades de elite da milícia libanesa.
Os túneis foram "construídos ao longo de cerca de uma década" e estavam ligados a lançadores de mísseis "apontados para território israelita", relatou o comunicado.
Apesar das ameaças de Israel Katz, o seu colega do Governo Gideon Saar, chefe da diplomacia israelita, afastou hoje "qualquer intenção territorial" em relação ao Líbano.
"A nossa presença nas zonas ao longo da nossa fronteira norte tem apenas um objetivo: proteger os nossos cidadãos", declarou Saar em conferência de imprensa junto do homólogo sérvio, Marko Djuric.
Na segunda-feira, o ministro da Defesa já tinha avisado que se o Governo libanês "continuar a amparar o Hezbollah, um incêndio vai propagar-se e consumir" o país.
O governante considerou que o Presidente libanês, Josef Aoun, está a "jogar com o futuro do Líbano" e que "não haverá cessar-fogo real" enquanto continuarem os ataques contra o exército israelita e contra as comunidades residentes do norte de Israel.
Katz referiu-se ainda ao secretário-geral do grupo radical xiita libanês, afirmando que Naim Qassem está a brincar com o fogo, e que esse fogo "vai consumir o Hezbollah e todo o Líbano".
O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.
No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar as suas milícias, que, no entanto, recusam entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel.
Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.
Segundo as autoridades libanesas, o reacendimento do conflito já provocou 2.520 mortos e 7.800 feridos, além de mais de um milhão de deslocados.
O líder do Hezbollah reafirmou na segunda-feira que não reconhecerá as negociações diretas anunciadas entre o Líbano e Israel nem os seus resultados, bem como a recusa em depor as armas.