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Guerra no Irão Mundo

Unicef pede donativos para enfrentar "impacto devastador"da guerra no Líbano

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Foto Shutterstock

A Unicef pediu hoje donativos para reunir 48,3 milhões de dólares (44,4 milhões de euros) destinados a enfrentar nos próximos três meses o "impacto devastador" da guerra no Líbano, que já deixou 400 mil crianças deslocadas.

Num apelo divulgado em comunicado pela Unicef Portugal, a organização refere que o cessar-fogo, acordado no mês passado entre os governos do Líbano e de Israel, embora contestado pelo grupo xiita Hezbollah, "abre uma janela de esperança, mas expõe também a dimensão da destruição e do impacto devastador do conflito nas crianças".

Desde o recomeço do conflito, no início de março, a ofensiva israelita contra o grupo político e militar apoiado pelo Irão já provocou 2.696 mortos e 8.264 feridos, segundo o último balanço das autoridades de Beirute, que registam também acima de um milhão de deslocados.

Nestes números, há mais de 170 crianças mortas, centenas de outras feridas, indica a Unicef, que destaca uma exposição "à violência, ao trauma e à perda" de cerca de 400 mil menores que permanecem deslocados, muitos dos quais em "abrigos sobrelotados ou em condições precárias".

Vários destes centros de acolhimento improvisados são escolas, que estão encerradas, contribuindo para que cerca de 250 mil crianças estejam privadas de educação presencial.

No seu "apelo urgente" para responder às necessidades humanitárias no próximo trimestre, a instituição da ONU descreve uma situação no terreno "extremamente frágil", apesar do cessar-fogo, em que milhares de famílias encontram "casas, escolas, hospitais e infraestruturas essenciais destruídos ou gravemente danificados" no regresso às suas zonas de origem.

"O sistema de saúde encontra-se sob enorme pressão, com grandes limitações no acesso a cuidados essenciais. Serviços básicos, como o abastecimento de eletricidade e água, são instáveis e muitas famílias enfrentam incerteza quanto à sua segurança e ao futuro", relata a organização.

Além disso, as crianças apresentam "sinais crescentes de sofrimento psicológico, devido à exposição prolongada à violência, ao deslocamento e à instabilidade", num quadro de cessar-fogo que não cessou os confrontos entre as tropas israelitas e as milícias do Hezbollah.

Desde o início da trégua, em 17 de abril, 380 pessoas morreram no Líbano, de acordo com dados hoje divulgados pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

"A Unicef está no terreno a responder às necessidades mais urgentes, prestando apoio a crianças e famílias deslocadas a viver em abrigos ou em comunidades de acolhimento e áreas de difícil acesso, com serviços essenciais de saúde, proteção, água, saneamento e apoio psicossocial", afirma a organização,

Do total do valor de 44,4 milhões de euros estimados no apelo, apenas cerca de 14 milhões foram mobilizados, "o que representa uma lacuna crítica no financiamento da resposta humanitária às crianças e às suas famílias do Líbano", avisa ainda a organização.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.

No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar as suas milícias, que, no entanto, recusam entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país anteriormente.