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Guerra no Irão Mundo

Principal negociador iraniano afirma que EUA pretendem obrigar Teerão a render-se

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O presidente do parlamento iraniano, um dos principais negociadores do lado de Teerão, afirmou hoje que Washington procura a rendição do Irão através de uma "nova estratégia" destinada a "destruir a coesão do país".

"O inimigo, na sua nova estratégia, procura, através de um bloqueio naval, pressão económica e manipulação mediática, destruir a coesão do país para nos obrigar a render-nos", afirmou Mohammad Bagher Ghalibaf, uma das figuras centrais da política iraniana, numa mensagem de voz publicada na plataforma Telegram.

As declarações de Ghalibaf surgiram num momento em que o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que a República Islâmica continua a analisar a proposta dos Estados Unidos para o fim do conflito.

"O Irão ainda está a analisar o plano e a proposta americana", declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, citado pela agência de notícias ISNA.

O responsável disse que Teerão vai comunicar a sua posição ao Paquistão, país que tem mediado contactos indiretos entre o Irão e os EUA.

Antes, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou novamente bombardear o Irão "a um nível muito maior e com uma intensidade muito superior à anterior", caso Teerão não aceite os termos da proposta apresentada por Washington.

Ao mesmo tempo, a França enviou o porta-aviões "Charles de Gaulle" para o golfo Pérsico, com o Ministério das Forças Armadas francês a confirmar que já atravessou o canal do Suez.

A Presidência francesa afirmou que está disponível para realizar uma operação multinacional de segurança no estreio de Ormuz, mas apresentou algumas exigências aos beligerantes.

Deste modo, Paris garantiu que pode "oferecer ao Irão a possibilidade de voltar a atravessar o estreito de Ormuz" e "permitir que os seus petroleiros passem" pela passagem marítima, desde que "o Irão aceite empenhar-se nas negociações de fundo a que os americanos o convidam".

A confirmar-se, esta será a primeira ação da coligação de mais de 40 países empenhados em garantir a segurança de navegação no estreito de Ormuz.

O bloqueio do estreito de Ormuz continua apesar do cessar-fogo que entrou em vigor a 08 de abril.

Em resposta, Washington impôs em 13 de abril um bloqueio aos portos iranianos e, em seguida, lançou na segunda-feira a operação "Projeto Liberdade" para permitir que centenas de navios presos no golfo atravessassem o estreito, operação suspensa na terça-feira à noite pelo Presidente norte-americano.