União Europeia pretende obrigar Google a abrir o Android a IA rivais
A União Europeia (UE) propôs hoje medidas que tenciona impor à Google para reforçar o acesso de assistentes de inteligência artificial (IA) concorrentes ao sistema operativo Android, mas a gigante tecnológica norte-americana discorda, considerando estas propostas perigosas.
"As medidas propostas visam garantir que os serviços de IA concorrentes possam interagir eficazmente com as aplicações nos dispositivos Android dos utilizadores e executar tarefas em conformidade, tais como enviar um e-mail através da aplicação de e-mail preferida do utilizador, encomendar refeições ou partilhar uma fotografia com amigos", argumentou a Comissão Europeia, citada pela agência AFP.
Segundo o executivo europeu, a Google reserva atualmente grande parte destas funcionalidades às suas próprias ofertas de IA (tais como o seu assistente Gemini) em telemóveis e tablets que funcionam com Android.
Mas o grupo norte-americano criticou veementemente estas medidas, considerando, por um lado, que o Android já permitia que a concorrência se desenvolvesse amplamente, através de parcerias estabelecidas com os fabricantes de telemóveis, e, por outro lado, que a implementação destas recomendações comprometeria a segurança do seu sistema operativo, em detrimento dos utilizadores.
"O ecossistema aberto do Android permite que os assistentes de IA prosperem, uma vez que os fabricantes de dispositivos gozam de total autonomia para integrar e personalizar as experiências de IA desejadas pelos seus utilizadores", argumentou Clare Kelly, responsável jurídica do grupo em matéria de concorrência, numa reação transmitida à AFP.
Segundo a mesma fonte, "esta intervenção injustificada eliminaria essa autonomia, imporia o acesso a dados materiais sensíveis e a autorizações de acesso aos dispositivos, o que provocaria um aumento desnecessário dos custos e comprometeria a proteção da privacidade e a segurança dos utilizadores europeus".
As propostas fazem parte das conclusões preliminares de um procedimento de conciliação lançado em janeiro pela Comissão, com o objetivo de ajudar a Google a cumprir o regulamento europeu sobre os mercados digitais (Digital Markets Act, DMA).
Esta lei visa combater os abusos de posição dominante por parte dos gigantes da tecnologia.
A Comissão, que anunciou também em abril propostas para obrigar a Google a partilhar os dados do seu motor de busca, tem até meados de julho para decidir quais as medidas finais que serão impostas ao grupo.