Deixaram os pais entrar nas escolas e estragaram tudo

Durante muitos anos, a escola tinha fronteiras claras. O professor ensinava, o aluno aprendia e os pais acompanhavam à distância, confiando na autoridade de quem estava dentro da sala de aula. Havia respeito, disciplina e uma noção simples: dentro da escola, quem mandava eram os professores.

Hoje, essa realidade parece cada vez mais distante.

Nas últimas décadas, abriu-se a porta da escola a uma intervenção constante dos encarregados de educação. Em teoria, a ideia parecia boa: aproximar famílias e ensino, criar diálogo, acompanhar melhor os alunos. Mas, na prática, em muitos casos, acabou por se transformar numa erosão lenta da autoridade do professor e da autonomia da escola.

Atualmente, há professores que passam mais tempo a justificar decisões do que a ensinar. Uma nota negativa gera discussões intermináveis. Uma repreensão disciplinar transforma-se numa guerra de mensagens, reclamações e ameaças. Muitos pais passaram a ver o filho não como um aluno que precisa de aprender regras, mas como um cliente que tem sempre razão.

O resultado está à vista.

As salas de aula tornaram-se mais difíceis de controlar. A indisciplina aumentou. O respeito pela figura do professor diminuiu drasticamente. Há docentes cansados, desmotivados e até com medo de exercer autoridade, porque qualquer conflito pode acabar numa exposição pública ou numa avalanche burocrática.

Antigamente, quando um aluno chegava a casa com uma chamada de atenção, muitas vezes ainda levava outra dos pais. Hoje, em demasiados casos, os pais aparecem na escola para exigir satisfações ao professor. A mensagem passada ao aluno é perigosa: “tu não tens de respeitar a autoridade, porque eu resolvo tudo por ti.”

Claro que o modelo antigo também tinha defeitos. Existiam injustiças, excessos e situações que ficavam escondidas dentro das escolas. Não se trata de defender uma escola autoritária ou fechada ao diálogo. Mas uma coisa é acompanhar a educação dos filhos; outra é transformar cada sala de aula num campo de batalha entre pais e professores.

Uma sociedade que desautoriza constantemente os seus professores está a cavar um problema sério para o futuro. Porque sem autoridade, sem regras e sem respeito, a escola deixa de ser um lugar de aprendizagem e passa a ser apenas um edifício cheio de gente cansada.

Talvez esteja na altura de recuperar algum bom senso. Os pais devem educar em casa. Os professores devem ensinar na escola. E os alunos devem perceber que há limites, regras e consequências. Parece antigo? Talvez. Mas nem tudo o que é antigo estava errado.

António Rosa Santos