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Homem que matou ex-namorada em Matosinhos condenado a 23 anos de prisão

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Foto Shutterstock

O homem que matou a ex-namorada com uma faca em agosto de 2025, em Matosinhos, foi hoje condenado a 23 anos de prisão.

"Tirou a vida à vítima com sucessivos golpes de faca", afirmou o presidente do coletivo de juízes durante a leitura do acórdão no Tribunal de Matosinhos, no distrito do Porto.

A 04 de agosto de 2025, o homem matou a ex-namorada com vários golpes de faca na casa daquela em São Mamede de Infesta, em Matosinhos, onde ambos residiam antes de terminarem a relação.

Nesse dia, o arguido entrou na casa da ex-namorada às escondidas e surpreendeu-a com outro homem, filmou-a e, depois, foi à cozinha e pegou em duas facas e esfaqueou-os, matando-a a ela.

Após o crime, o homicida pegou no carro da ex-namorada e foi até ao aeroporto de Lisboa para apanhar um voo para o Brasil, ocasião em que foi detido.

O juiz assinalou que o homicida não agiu com premeditação, não pensou na forma como ia praticar o crime, mas teve tempo de pensar no que ia fazer depois de estar no interior da casa durante 20 minutos a observá-los.

O magistrado destacou ainda que o homicida também queria matar o homem com quem a ex-namorada estava, só não o tendo conseguido por motivos alheios à sua vontade.

"O número de golpes, as zonas atingidas e o momento do ataque mostra que a intenção do arguido era mesmo tirar a vida àquele homem", reforçou.

Ao contrário do homem, que conseguiu fugir, a vítima mortal não teve hipótese de fugir ou de se defender, referiu.

O juiz lembrou que o arguido, em prisão preventiva, agiu com "manifesta insensibilidade, movido por ciúmes e por não ser romanticamente correspondido".

Além disso, acrescentou, mostrou "total indiferença" aos apelos da vítima.

E quando fugiu do local em direção ao aeroporto de Lisboa o objetivo era fugir à justiça portuguesa, apontou.

Condenando-o ainda ao pagamento de uma indemnização de 5.000 euros ao pai da vítima mortal e de 20.000 euros ao homem que estava com aquela e que foi esfaqueado, o magistrado, dirigindo-se ao homicida de 25 anos, recordou a necessidade de respeitar a dignidade e independência das pessoas.

"É muito jovem, mas condicionou decididamente a sua vida, por isso, espero que passe estes anos a refletir que há coisas incondicionais na vida das pessoas e essas são a própria vida das pessoas", concluiu.