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Madeira

Contexto internacional evolui de forma “acelerada e imprevisível”

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Foto Hélder Santos/Aspress

No segundo painel, subordinado ao tema ‘Transformações Geoestratégicas nas Relações Internacionais’, o major-general Lopes da Silva apontou, naquela que clarificou ser uma abordagem pessoal, que o contexto internacional “continua a evoluir de forma acelerada e imprevisível perante uma dinâmica de competição e confrontação”, sendo esta uma realidade que requer “maior flexibilidade de pensamento e antecipação na acção”.

O Comandante Operacional da Madeira alertou também para a crescente fragmentação da ordem internacional e as dificuldades em alcançar consensos globais, sublinhando os riscos associados à cibersegurança, à desinformação e à disputa por recursos estratégicos.

Relativamente ao futuro da defesa e da segurança, Lopes da Silva considerou que os conflitos tenderão a assumir “características multidomínio”, com maior incidência sobre infraestruturas críticas e crescente utilização de capacidades híbridas, digitais e automatizadas.

No final, o major-general concluiu defendendo uma maior cooperação internacional, bem como a necessidade de reforçar o pensamento estratégico e a capacidade de adaptação das instituições perante os novos desafios globais.

Raquel Duque, por sua vez, reiterou esta ideia de que o Mundo atravessa uma profunda transformação na distribuição do poder global, na natureza dos conflitos e nos próprios conceitos de segurança e cooperação internacional. Estas mudanças colocam a geoestratégia no centro da análise internacional, identificando três grandes eixos: a transição de uma ordem unipolar para tendências multipolares, o impacto da tecnologia e das guerras híbridas e, por fim, a emergência de disputas geoeconómicas e geográficas.

A professora alertou ainda para aquilo que classificou de "tentativas de marginalização de organizações internacionais" como a ONU, a OMS e outras estruturas globais, apesar de os principais desafios contemporâneos – conflitos, alterações climáticas, migrações ou acesso a recursos – exigirem respostas colectivas.