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Madeira

Democracia em jogo global

Debate alerta para IA, poder e novas fragilidades políticas

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Foto Rui Silva/ASPRESS

O debate de encerramento do programa da manhã do Dia do Empresário Madeirense juntou Bruno Maçães, antigo Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Pedro Siza Vieira, ex-ministro da Economia, e Rui Cordeiro, especialista em gamificação aplicada a contextos empresariais, sob moderação de Ricardo Miguel Oliveira, director-geral e director editorial do DIÁRIO, numa discussão sobre as novas regras do poder global, os impactos da inteligência artificial e os riscos para as democracias contemporâneas.

Após a primeira ronda de perguntas aos três oradores convidados, a discussão centrou-se nos limites entre influência e manipulação. Questionado por Ricardo Miguel Oliveira, Bruno Maçães afirmou que “a manipulação está em todo o lado”, defendendo que os sistemas digitais e algorítmicos moldam percepções e comportamentos de forma estrutural. Os oradores alertaram para o risco de modelos de inteligência artificial reproduzirem enviesamentos dos dados de treino, defendendo maior transparência e participação pública na sua construção.

Pedro Siza Vieira sublinhou que a inteligência artificial pode alterar emoções, desejos e decisões a uma velocidade sem paralelo em anteriores revoluções tecnológicas, com impactos directos na capacidade de adaptação das instituições. Defendeu ainda maior regulação pública, com mecanismos de supervisão e avaliação de impacto antes da adopção em larga escala, num contexto de abordagens distintas entre Estados Unidos e China.

A transformação do mercado de trabalho foi outro dos temas em destaque. Rui Cordeiro alertou para o possível desaparecimento de oportunidades de entrada na carreira, como estágios, questionando os modelos de formação das novas gerações num contexto de automação acelerada. Foram também apontados riscos associados a métricas que distorcem comportamentos, privilegiando indicadores em vez de resultados reais.

No fecho do debate, Bruno Maçães deixou um aviso sobre a fragilidade das democracias perante a concentração de poder tecnológico e económico, sublinhando que, sem instituições políticas robustas, a capacidade de resposta aos desafios da inteligência artificial e da geopolítica ficará comprometida.