Moscovo e Kiev acusam-se mutuamente de violações de cessar-fogo
A Ucrânia e a Rússia acusaram-se hoje mutuamente de violar um cessar-fogo de três dias negociado pelos Estados Unidos e anunciado na sexta-feira pelo Presidente norte-americano.
"Desde o início do dia, o número de ataques realizados pelo agressor atingiu 51", afirmou o Estado-Maior ucraniano.
Por seu lado, o ministério da Defesa russo disse que "apesar da declaração de cessar-fogo, grupos armados ucranianos realizaram ataques com recurso a drones e artilharia" contra posições das suas tropas.
De ambos os lados foram relatadas vítimas, com dois civis mortos e três feridos nas regiões de Zaporijjia e Dnipropetrovsk, no centro da Ucrânia, segundo as autoridades locais, enquanto do lado russo, na região fronteiriça de Belgorod, três pessoas ficaram feridas.
Após duas tentativas de tréguas, uma ucraniana e depois russa, não respeitadas esta semana, o Presidente norte-americano anunciou na sexta-feira à noite um cessar-fogo de três dias entre a Ucrânia e a Rússia.
Logo após a publicação da mensagem de Donald Trump, Kiev e Moscovo confirmaram ter aceitado a trégua e uma troca de prisioneiros.
Apesar das acusações de violação desse cessar-fogo, Kiev reiterou hoje que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, está disposto a reunir-se com o líder do Kremlin, Vladimir Putin, mas não em Moscovo.
"Volodymyr Zelenski está disposto a reunir-se com Putin em qualquer lugar, mas não em Moscovo, porque Moscovo é a capital do Estado agressor. Esse formato de negociações é impossível", declarou o assessor do gabinete presidencial ucraniano Serguei Leshchenko, uma intervenção na televisão ucraniana.
Yuri Ushakov, assessor de Putin, tinha afirmado antes, como fez já anteriormente o Presidente russo, que Moscovo está disposto a receber Zelenski a qualquer momento na capital russa.
O Presidente ucraniano, por seu turno, declarou em repetidas ocasiões a sua disposição para reunir-se com Putin, mas não em Moscovo nem em Kiev.