Sobrinho Simões aponta Madeira como referência na investigação do cancro
Médico destaca criação de centro ligado ao novo hospital
O médico Manuel Sobrinho Simões afirmou hoje que a Madeira tem “uma hipótese única de fazer um salto de qualidade” com a criação do Centro Internacional de Investigação do Cancro, associado ao futuro Hospital Central e Universitário da Madeira.
À margem da conferência ‘50 Anos de Autonomia – Saúde’, o fundador do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular e Celular da Universidade do Porto explicou que o projecto começou a ser pensado em 2016, em conjunto com o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque.
“Começámos a pensar na ideia de que, se se fizesse um grande hospital na Madeira, era a altura para fazer um grande centro de investigação do cancro nesse hospital”, afirmou.
Sobrinho Simões recordou que o processo sofreu atrasos devido à pandemia da Covid-19, mas foi retomado em 2023, altura em que foram assegurados apoios de empresários regionais. Segundo explicou, em 2024 foi formalizado o acordo e, em Fevereiro deste ano, assumiu a presidência da Assembleia Geral do novo centro.
O especialista revelou ainda que a primeira reunião formal do Conselho de Administração Executivo do Centro Internacional de Investigação do Cancro na Madeira decorre na próxima quinta-feira, no Porto, para definir o plano de actividades.
“O hospital vai ser muito importante. Vocês têm uma condição excepcional para ter um centro hospitalar muito bom, ligado à parte académica, simultaneamente hospitalar e universitária”, sublinhou.
O médico destacou igualmente a importância dos cuidados de proximidade e dos centros de saúde no combate à doença oncológica.
“Para mim, o mais importante é o apoio aos doentes e aos familiares. A reabilitação, os cuidadores, o diagnóstico precoce, os rastreios. Acho muito mais importantes os aspectos sociais do que os aspectos da investigação”, declarou.
Sobrinho Simões considerou ainda que o facto de a Madeira ser uma ilha pode favorecer a investigação científica, sobretudo ao nível do estudo de alterações genéticas associadas ao cancro.
“Nas ilhas, quando há alterações genéticas, nós podemos estudá-las melhor porque ficam confinadas”, explicou.
Questionado sobre a incidência das doenças oncológicas na Região, o especialista afirmou que os indicadores da Madeira são semelhantes aos do continente, sem diferenças significativas nas taxas de sobrevivência.