Líbano regista mais de dez mil casas atingidas durante a trégua
Mais de 10 mil casas foram destruídas ou danificadas no Líbano desde o cessar-fogo de 17 de abril, entre as autoridades de Beirute e Israel, disse hoje o Conselho Nacional de Investigação Científica (CNRS).
Apesar da trégua, Israel continua os intensos bombardeamentos, sobretudo no sul do Líbano, contra alegados alvos do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah, que por sua vez continua a reivindicar ataques contra as tropas israelitas.
"Desde o cessar-fogo, verificámos que 5.386 casas foram completamente destruídas e 5.246 danificadas", indicou o diretor do CNRS, Chadi Abdallah, em conferência de imprensa.
O Líbano pediu aos Estados Unidos, na segunda-feira, que pressionem Israel para suspender os ataques aéreos antes do início das negociações diretas que estão a ser preparadas entre os dois países.
O Hezbollah opõe-se a estas conversações e o líder, Naim Qassem, ameaçou que ia tornar os confrontos "num inferno" para Israel.
Pelo menos 12 pessoas morreram em ataques aéreos israelitas contra veículos em diferentes partes do Líbano, incluindo nas proximidades de Beirute, elevando o número total de mortes desde o início do cessar-fogo para 380.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra o aliado Irão ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra Israel.
As forças israelitas responderam com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiram as posições militares que já mantinham no sul do país durante o conflito anterior.
Desde 02 de março, pelo menos 2.882 pessoas foram mortas, incluindo 200 crianças, segundo o Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também mais de um milhão de deslocados.
O exército israelita estabeleceu uma "linha amarela" no sul do Líbano, a cerca de 10 quilómetros da fronteira, e indicou que os soldados realizaram recentemente uma "operação especial" mais para o interior contra o Hezbollah.
De acordo com o acordo de cessar-fogo, Israel reserva-se "o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa", uma cláusula contestada pelo grupo xiita.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre abril de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito no golfo Pérsico.