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Madeira

Madeira tem de se preparar melhor

Beatriz Jardim alerta para aumento dos eventos extremos

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A presidente da Região Madeira da Ordem dos Engenheiros defendeu, esta segunda-feira, a necessidade de a Madeira reforçar a sua preparação perante fenómenos extremos, alertando que as alterações climáticas estão a provocar acontecimentos “cada vez mais intensos e frequentes”.

À margem da conferência ‘Vulnerabilidades da RAM a Eventos Extremos – Estamos preparados para o próximo?’, Beatriz Jardim explicou que a iniciativa pretende “trazer debates técnicos abertos à sociedade”, afastando a ideia de encontros reservados apenas a especialistas.

“Não pretendemos estar a fazer conferências de técnicos para técnicos”, afirmou, acrescentando que o objectivo passa por envolver técnicos, decisores políticos e a população em geral numa reflexão conjunta sobre prevenção e capacidade de resposta.

A responsável recordou o aluvião de 20 de Fevereiro de 2010 como “um evento de má memória”, mas que deve permanecer presente enquanto exemplo da necessidade de preparação contínua.

“Muito foi feito desde aí, mas ainda há algumas coisas para fazer”, afirmou, apontando que a Madeira está hoje mais capacitada, embora continue vulnerável a novos cenários extremos.

Beatriz Jardim destacou o contributo da engenharia na mitigação dos riscos, nomeadamente através das obras de protecção das ribeiras realizadas após 2010, bem como da aposta em tecnologia para antecipação de fenómenos extremos.

“Temos instrumentação nas ribeiras e câmaras para ver o que está a acontecer em tempo real e possibilitar uma evacuação atempada”, explicou, referindo ainda o uso de drones na detecção precoce de incêndios.

A presidente da Ordem dos Engenheiros alertou igualmente para a fragilidade acrescida provocada pelos incêndios recentes, devido à destruição de árvores que ajudavam a estabilizar os terrenos.

Defendendo uma maior cultura de prevenção, considerou que “todos temos que ser agentes de protecção civil” em situações de risco, apelando à limpeza de terrenos e a comportamentos responsáveis perante fenómenos como o galgamento costeiro.

“Estamos muito melhores para um evento semelhante ao 20 de Fevereiro, mas ainda há coisas a fazer”, reforçou, apontando sinais recentes das alterações climáticas, como o encerramento mais frequente do aeroporto devido ao vento e o “mini-tufão” registado no Porto Santo.

A conferência decorre esta tarde na Reitoria da Universidade da Madeira, no Funchal, e inclui dois painéis dedicados aos incêndios florestais e às aluviões e outros eventos extremos, reunindo especialistas da Protecção Civil, do IPMA, do IFCN e investigadores nacionais e internacionais.