DNOTICIAS.PT
País

Estudo da Universidade Fernando Pessoa desvenda "face neuroemocional da saudade"

Foto Shutterstock
Foto Shutterstock

Um estudo da Universidade Fernando Pessoa, no Porto, permite desvendar "a face neuroemocional da saudade", mostrando a codificação científica e padrão expressivo na cara humana ao descobrir o "biomarcador" desta emoção.

Os resultados do trabalho do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, da Faculdade de Medicina daquela instituição privada de ensino superior, foram apresentados pelo diretor, Freitas-Magalhães, segundo um comunicado divulgado recentemente.

"A saudade tem uma face. E essa face foi agora desvendada pela ciência. Pela primeira vez, conseguimos identificar a sua estrutura neuroemocional e o seu padrão de codificação facial com rigor objetivo", nota o investigador, citado em comunicado.

O estudo, que resulta, segundo a Fernando Pessoa, de perto de duas décadas de trabalho, assenta no "biomarcador de saudade, um marcador expressivo fino, mas consistente, que integra a assinatura facial desta emoção", ou a forma como a cara de alguém se coloca quando a pessoa sente saudade.

Para aferir se a pessoa sente saudade, que "não é uma abstração poética", mas antes "uma emoção com base neurobiológica, com circuitos cerebrais próprios e uma expressão facial codificável", recorreram à análise de zonas específicas, como a posição labial e a "eventual exposição dentária subtil", em "estados de evocação afetiva intensa, memória e ligação emocional".

"Hoje, podemos medi-la, observá-la e estudá-la com a mesma precisão de outras emoções fundamentais. [...] Este estudo demonstra que mesmo as emoções mais complexas e culturalmente marcadas podem ser traduzidas em linguagem científica. A saudade deixou de ser apenas uma palavra, passou a ser uma emoção visível e mensurável", afirma Freitas-Magalhães.

Para a Fernando Pessoa, este avanço pode representar "aplicações na medicina, psicologia clínica, neurociência afetiva e desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial emocional".

Os resultados estão agora publicados em livro, em português e em inglês, dado que este laboratório considera a descoberta "um feito científico de alcance internacional".