DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Jornalista norte-americana raptada no Iraque foi libertada

None

A jornalista norte-americana Shelly Kittleson, que foi raptada a 31 de março em Bagdade, foi hoje libertada, confirmou um dirigente iraquiano com conhecimento direto da situação à agência noticiosa Associated Press.

Kittleson foi libertada esta tarde, oito dias depois do rapto, declarou a mesma fonte, que pediu anonimidade, tendo sido mantida em Bagdade, pela milícia iraquiana Kataib Hezbollah, e hoje libertada.

A própria milícia também comunicou a libertação, "em apreciação das posições patrióticas do primeiro-ministro que está de saída", Mohammed Shia al-Sudani, na condição de que esta abandone solo iraquiano de imediato.

Segundo o Governo iraquiano, que em conjunto com os Estados Unidos apontou o dedo à milícia que hoje anunciou a libertação, sem confirmar ter sido a autora do rapto, foram utilizados dois carros no incidente.

Kittleson, de 49 anos, é jornalista 'freelancer' e tem trabalhado no Médio Oriente, em particular no Iraque e na Síria, nos últimos anos, tendo sido avisada, segundo o governo norte-americano, várias vezes desta possibilidade.

A milícia pró-iraniana Kataib Hezbollah integra as FMP, uma estrutura que opera sob o Governo iraquiano, mas que mantém fortes ligações ao Irão e é considerada uma das milícias mais poderosas do Iraque.

O Iraque concentra 10% dos 90 jornalistas desaparecidos em todo o mundo.

Antes do sequestro de Kittleson, dois jornalistas estrangeiros e sete iraquianos estavam desaparecidos, todos confirmados ou suspeitos de terem sido sequestrados.

O último jornalista norte-americano sequestrado foi Steven Sotloff, capturado na Síria em 2013 e assassinado em 2014, segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Em 2023, a investigadora russo-israelita Elizabeth Tsurkov foi sequestrada num café de Bagdad e mantida em cativeiro pela Kataib Hezbollah durante 903 dias, antes de ser libertada depois de um acordo negociado pelos Estados Unidos.

O sequestro de Kittleson ocorreu no contexto da atual guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, na qual várias milícias pró-iranianas integradas nas Forças de Mobilização Popular (FMP), como a Kataib Hezbollah, têm atacado com drones e foguetes posições militares e diplomáticas norte-americanas no Iraque, enquanto Washington respondeu com vagas de bombardeamentos contra posições da organização armada.